A CULTURA DO FEIJOEIRO
(Phaseolus vulgaris L.)

COPERCAMPOS®

1) INTRODUÇÃO

Devido à importância dos grãos do feijoeiro na alimentação humana, esta cultura tem merecido grande destaque no cenário nacional e internacional para suprir as necessidades dos consumidores que aproveitam esses grãos como fonte básica e barata de proteínas e calorias. Isto chama a atenção de pesquisadores para que se possa aumentar seus níveis de produtividade, dentro dos padrões sustentáveis, já que a média brasileira de produtividade é ainda relativamente baixa.

Estima-se que a área ocupada pelo feijoeiro anualmente no Brasil está em torno de 5,5 milhões de hectares considerando as três épocas; águas, seca e inverno com irrigação. Para a região de Campos Novos, a cultura do feijoeiro, apresentando bons níveis de produtividade, pode somente ser implantada uma única vez durante o ciclo de culturas de verão.

Deve-se evitar plantar feijão cultivo após cultivo na mesma área para que não ocorra um aumento da incidência de pragas e inóculos de doenças comuns à cultura.

 

2) ESCOLHA DO TALHÃO

2.1) Fertilidade
Altos níveis de produtividade do feijoeiro são assegurados a partir do conhecimento da fertilidade natural da área através de amostragem do solo de acordo com algumas normas orientadoras, como: profundidade, números de amostras simples para se formar as amostras compostas, homogeneidades dos talhões em relação ao histórico de uso, topografia, vegetação, cor e textura. Na região de Campos Novos, a cultura é implantada em áreas com sistema de plantio convencional (predominando campo nativo), ou sistema de plantio direto, com históricos de produção.

2.2) Rotação de culturas
A rotação de culturas pode ser definida como uma prática agrícola que visa alternar, em uma mesma área, diferentes culturas seqüenciais, segundo plano previamente definido. Deve ser direcionada principalmente para o controle de patógenos necrotróficos(sobrevivem de restos culturais). Deve-se projetar as culturas que antecedem e/ou sucedem a cultura do feijoeiro para que se possa ter um melhor aproveitamento dos recursos ambientais e maior estabilidade econômica, juntamente com a conservação do solo. Por se tratar de uma cultura de ciclo rápido, é de fundamental importância a qualidade e quantidade de restos culturais da cultura antecessora. As culturas antecessoras mais comuns na região de Campos Novos, para a cultura do feijoeiro são a aveia preta e o trigo.

 

3) PREPARO DO SOLO

3.1) Sistema Convencional
Este é um sistema ainda muito utilizado em áreas de aberturas de campo nativo. É executado com aração e gradeação pouco antes da semeadura, exceto se necessitar de correção do solo ou de incorporação de resíduos.

3.2) Sistema de Plantio direto
Plantio Ditero - © Epagri Campos NovosO plantio direto ou semeadura direta é um sistema de implantação de culturas em solo não revolvido e protegido por cobertura morta, proveniente de restos de culturas, sejam elas coberturas vegetais semeadas para esse fim ou de plantas daninhas controladas por métodos químicos combinados. Este sistema não imobiliza o solo, porém restringe apenas ao sulco de semeadura a mobilização. Tendo boas camadas de cobertura morta, em quantidade e qualidade, bem como conhecimentos técnicos básicos, pode-se obter sucesso neste empreendimento.

   
3.2.1) Escolha da cobertura morta
O emprego de leguminosas pode contribuir para a redução da população de patógenos causadores de doenças na cultura. Se houver necessidade de maior quantidade de matéria seca deve-se optar pela implantação de gramíneas na área.

  

4) ADUBAÇÃO DE BASE

Para que se possa obter resultados satisfatórios da necessidade de nutrientes para a cultura, é necessário fazer uma amostragem de solo bem feita. Várias sub-amostras em um talhão uniforme fazem com que uma amostra composta possa dar resultados muito próximos da realidade do talhão, definindo as quantidades muito próximas de adubação que a cultura necessita para que complete o seu ciclo com sucesso no que diz respeito a sua nutrição.

4.1) Definição da fórmula a ser usada
Para a definição da fórmula de adubação de base a ser usada para a cultura, deve-se levar em conta os teores de macro e micronutrientes existentes e disponíveis no solo relatados na análise de solo. O teor do nutriente exportável de interesse na parte exportável da planta (grão e semente) e do rendimento almejado darão as quantidades necessárias de adubação de base que se faz necessária para a cultura.

 

5) ESCOLHA DA VARIEDADE

A escolha da variedade de feijão a ser implantada na área deverá levar em conta a adequação de suas necessidades térmicas e hídricas à época de semeadura e à região de implantação. Se estes detalhes forem desconsiderados, poderá acarretar o prolongamento ou a redução da fase vegetativa da cultura, podendo esta ter efeitos maiores de estresse, comprometendo seu desempenho e por conseqüência, seu potencial produtivo. O hábito de crescimento (Tipos I,II ou III), o mercado consumidor a que se destina o produto, o valor comercial e o histórico de doenças da área a ser implantada a cultura são fatores decisivos na escolha de variedades.

Na região de Campos Novos, as variedades mais utilizadas são: Carioca, Pérola, Iapar 81, FT Bonito, Diamante negro, Jalo, FT Nobre e Bio Nobre.

5.1)  Escala fenológica do feijoeiro comum.

Fase   Estágio Fenológico   Caracterização
Vegetativa   V0   Início da germinação
  V1   Cotilédones ao nível do solo
  V2   Folhas primárias expandidas
  V3   Primeira folha trifoliolada
  V4   Terceira folha trifoliolada
Reprodutiva   R5   Aparecimento dos botões florais
  R6   Abertura da primeira flor
  R7   Aparecimento das primeiras vagens
  R8   Primeiras vagens cheias
  R9   Modificação da cor das vagens

Importante: A cultura somente atinge um determinado estádio fenológico quando 50% ou mais das plantas apresentam características específicas deste estádio.

  

6) DENSIDADE DE SEMEADURA

Para definir a população de plantas deve-se levar em consideração alguns aspectos tais como: altitude e latitude de uma região, quantidade de adubação à ser usada na cultura, hábito de crescimento, época de semeadura e histórico de ocorrência de doenças na área. Para a região de Campos Novos a densidade média fica em torno de 200.000 a 250.000 plantas/hectare, sendo que nesta região quase na sua totalidade o cultivo de sequeiro, com raras áreas de irrigação.

  

7) TRATAMENTO DE SEMENTES

O tratamento de sementes tem por objetivo prolongar a qualidade da semente e plântula. Apresenta vantagens como: menor dano ao ambiente, proteção mais eficiente às plantas, menor custo e uma operação rápida e fácil. Também apresenta algumas desvantagens como: sementes com alta infecção de patógenos obterá baixa eficiência e poderá não ter uma boa distribuição nas sementes.

Para a região de Campos Novos os tratamentos de sementes podem ser efetuados de várias formas tais como: em betoneiras, máquinas específicas para o tratamento e até máquinas mais modernas de vaporização na semente.

 

8) INOCULAÇÃO

A inoculação de sementes com rizóbio é fator importante, porém, este nem sempre será capaz de fornecer o nitrogênio que a cultura necessita para obter um alto rendimento. As sementes que foram inoculadas devem ser plantadas no mesmo dia para que as bactérias fixadoras de nitrogênio não percam sua capacidade de fixação. Deve-se usar um aderente como água e açúcar cristal a fim de auxiliar na fixação das bactérias com a semente.

 

9) PROFUNDIDADE DE PLANTIO

A profundidade de plantio para solos argilosos é de 3-4 cm e para solos arenosos de 5-6 cm. Em solos irrigados a profundidade poderá ser menor devido ao abastecimento freqüente de água para a cultura.

 

10) MANEJO DE PLANTAS DANINHAS

O controle de plantas daninhas deve ser visto como uma forma de elevar os patamares de rendimento econômico da cultura tentando manter o potencial produtivo que possui o solo. A planta somente é considerada daninha caso esteja se desenvolvendo em local não desejado ou causando dano econômico à cultura.

Vários fatores influenciam para adequar o melhor método de controle de plantas daninhas. Alguns fatores: características e quantidade de plantas infestantes na área de implantação da cultura, o relevo e o tipo de solo da área em questão, além das condições de ambiente, econômica e ecológica para a realização do controle. Os métodos utilizados para o controle de plantas daninhas são os seguintes: preventivo, cultural, mecânico, biológico e químico e físico.

10.1) Controle preventivo
Tem por objetivo impedir a introdução, o estabelecimento e/ou a disseminação de determinadas espécies na área de produção. Pode-se utilizar práticas de campo evitando o transporte de órgãos reprodutivos para áreas não infestadas e evitar a reprodução das plantas daninhas.

10.2) Controle cultural
Este é um método que busca atingir condição ambiental ou um procedimento que promova o crescimento e desenvolvimento da cultura, buscando o rápido fechamento das entrelinhas para possibilitar o sombreamento do solo, não dando condições favoráveis para o desenvolvimento das plantas daninhas.

10.3) Controle mecânico
É basicamente o uso de ferramentas como: capinadeiras ou capina manual, além de preparo do solo para a semeadura. Este controle necessita além de mão-de-obra, agilidade para ser realizado o mais cedo possível a fim de atingir as plantas daninhas no estádio plantular de desenvolvimento e não entrando em competição por nutrientes com a cultura.

10.4) Controle biológico
Dois fatores influenciam para que ocorra este controle. O primeiro é propiciado pela própria cultura, que entraria em competição com a comunidade infestante. O segundo seria através de inimigos naturais, sejam eles insetos, fungos, bactérias ou outros agentes que parasitam as plantas daninhas. Outro fator que possibilita o controle biológico é a alelopatia.

10.5) Controle químico
É o uso correto de herbicidas. Pode-se usar de forma integrada como outros métodos de controle.

Os herbicidas podem ser classificados quanto a época de aplicação (Pré-plantio(PP); Pré-plantio incorporado(PPI); Pré-emergência(PRÉ) e de Pós-emergência(PÓS), mecanismo de ação entre outros.

10.6) Controle físico
Este método é utilizado em áreas não muito extensas, notadamente em situações muito específicas de agricultura orgânica e/ou biodinâmica.

  

11) MANEJO DE DOENÇAS

O feijoeiro, por ser uma cultura de ciclo curto, fica bastante vulnerável à ação dos agentes ambientais, seja de natureza abiótica (clima) ou de natureza biótica (organismos vivos), caracterizada por acentuada instabilidade produtiva.

Outros fatores que também influenciam no aparecimento de doenças são: o aumento de áreas cultivadas, monocultivo e seu cultivo sucessivo além de áreas de irrigação que contribuem para o aumento e a disseminação de patógenos.

Para a ocorrência de uma doença é necessária a interação de três fatores básicos:

a) Planta ou hospedeiro suscetível;

b) Patógenos específicos;

c) Ambiente favorável à doença.

Caso a planta esteja submetida a estresse (térmico, hídrico ou nutricional) e a ocorrência de patógenos esteja em grande número, a tendência de manifestação da doença ficará mais caracterizada.

A prevenção é a melhor medida de controle, assim pode-se conseguir um retardamento no aparecimento da doença ou que esta doença paralise seu desenvolvimento. Para isto, devem ocorrer planejamento nas áreas a ser implantada a cultura.

As doenças mais comuns registradas na região de Campos Novos são: podridão de sementes e tombamento de plântulas, Murcha de fusarium, Mofo branco, Crestamento bacteriano comum e com maior intensidade a Antracnose, Ferrugem e Mancha angular.

  

12) CONTROLE DE PRAGAS

Disponibilidade de alimentos, ausência de inimigos naturais, monocultura em extensas áreas, utilização de defensivos de largo espectro de ação entre outros, todos estes fatores influenciam para o favorecimento de algumas espécies, que vem a se tornar pragas, em detrimento de outras, que vem a ser inimigos naturais.

As pragas mais comuns na região de Campos Novos são: Cigarrinha verde(Empoasca kraemeri); Larva (ou Mosca) minadora (Liriomyza spp.); Lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus); Lagarta rosca (Agrotis ipsylon); Percevejos (Nezara viridula, Piezodorus guildinii e Megalotomus sp), Tripes (Calyotrips spp. e Frankliniella sp.) e Vaquinhas (Diabrotica speciosa e Cerotoma arcuata).

O controle preventivo tem por objetivo manter a população de insetos numa quantidade tolerada que não demonstre dano econômico à cultura. As pragas podem ter variações de populações em função da época de semeadura e também do sistema como é feita a semeadura, da adubação, das variedades utilizadas, do sistema de rotação de culturas, entre outros.

 

13) COLHEITA

A colheita realizada em Campos Novos, até a década de 80 era realizada com trilhadoras estacionadas acionadas pela tomada de potência do trator. Constituía-se em fazer o arranquio e posteriormente a trilha. A partir da década citada surgiu as trilhadoras de arrasto, onde somente realiza-se o arranquio e enleiramento da cultura e tanto o recolhimento como a trilha, são executados pela trilhadeira tracionada pelo trator e pela tomada de potência do trator. No final da década de 90, introduziu-se nas lavouras, as colhedoras automotrizes onde a colheita do feijão passou a ser feita totalmente mecanizada, eliminando a contratação de mão-de-obra para o arranquio e enleiramento. A escolha do método de colheita a ser utilizado na região de Campos Novos depende das condições da lavoura tais como: estrutura disponível existente na propriedade, a dimensão da área cultivada e condições climáticas na hora da colheita.

  

14) DESTINO DO PRODUTO FINAL

As comercializações do produto finais estão atreladas a grandes mercados consumidores tais como as regiões nordeste e sudeste do Brasil. A produção de sementes também é objeto da produção final já que a COPERCAMPOS® é registrada no Ministério da Agricultura como produtora de sementes.

 

   
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