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MILHO
(Zea mays L.)


1)
INTRODUÇÃO
O
milho é um dos cereais mais importantes cultivados no mundo todo. E,
desde há muitos séculos ,vem sendo utilizado diretamente na
alimentação humana e de animais domésticos, bem como na indústria
para a produção de rações, cola, amido, óleo, álcool, flocos
alimentícios, bebidas, além de outros produtos.
A
produção de milho tem crescido, porém o consumo tem aumentado mais
que a produção. A transformação desta situação somente poderá ser
conseguida com o uso de tecnologia e orientação técnica segura no
planejamento, semeadura e condução da lavoura, as quais nem sempre
estão relacionadas ao aumento do custo de produção.
2)
PLANEJAMENTO DA CULTURA
O
planejamento de qualquer atividade agrícola é fundamental para a
obtenção de sucesso e lucro, pois a sua realização detalhada
facilitará o manejo eficiente da lavoura, possibilitará o
aproveitamento máximo de máquinas, implementos, insumos e mão-de-obra
disponíveis, além de poder evitar a ocorrência de imprevistos. O
planejamento e os preparativos para a cultura devem-se iniciar pelo
menos três meses antes do plantio.
Dentre
os vários pontos a serem observados antes da implantação de uma
cultura, destacam-se:
a)
Conhecimento, das necessidades climáticas da cultura e das
características climáticas da região.
b)
Levantamento detalhado da área objetivando a melhor escolha da gleba
ou talhão para a cultura.
c)
Cuidados na conservação do solo.
d)
Escolha de cultivares(híbridos ou variedades) próprios para a
região e compra de sementes selecionadas.
e)
Além de outros.
3)
EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS DA CULTURA
O
milho é uma planta característica de clima tropical, ou seja, exige
calor e umidade para produzir satisfatoriamente e proporcionar
rendimentos compensadores.
Assim,
sua cultura pode se desenvolver bem em locais que apresentem as
seguintes condições:
-
Boa
distribuição de chuva (maior que 450 mm durante seu ciclo).
-
Dias
quentes (temperatura média diária -verão- maior que 19 º C).
-
Noites
frescas (temperatura média noturna maior que 12,8ºC e menor que
25ºC).
-
Solo
com temperatura maior que 10ºC para germinação.
Não
ocorrência, próximo e durante o florescimento, de temperaturas altas
(maiores que 30ºC),falta de água e nem temperaturas menores que
15ºC, para não prejudicar a produção.
Deve-se
lembrar que, independentemente da tecnologia e das técnicas
recomendadas , a condição climática em que a cultura permanece no
campo pode ser considerada como um dos principais fatores responsáveis
pelo aumento ou redução da produção.
As
maiores exigências de umidade(ou chuva) da planta de milho ocorrem nas
épocas de germinação, florescimento e enchimento de grãos. A falta
de água na ocasião do pendoamento pode provocar uma perda de
produção ao redor de 50-60% ,ao passo que depois da polinização (
até 15-20 dias) pode-se observar queda aproximada de 30%.
4)
ESCOLHA DA GLEBA OU ÁREA PARA A CULTURA.
A
escolha da gleba deverá satisfazer as necessidades ou exigências da
planta. As melhores produções são obtidas em terras novas férteis,
solos profundos e sem pedras, relevo plano ou suave(pequena caída), sem
problemas de drenagem(terras não encharcadas) e não ácidas. O
agricultor deverá escolher a área que apresentar o maior numero
possível de características favoráveis .
Não
se recomenda plantar milho em solos muito arenosos, pois as plantas
poderão sentir com maior facilidade a falta de água. Também, solos
compactadas e erodidos (lavados) devem ser evitados.
O
milho se desenvolve melhor quando a “acidez” esta entre 5,5 - 6,5 e
em solos com baixo teor de manganês e alumínio tóxico.
Para
se verificar a necessidade da calagem(correção da acides da terra) e
de adubação , deve-se fazer a análise da terra e consultar um
Engenheiro Agrônomo. A análise da terra mostra o tipo e a quantidade de
calcário e adubo que deverão ser colocados no solo para garantir boa
produção.
5)
RETIRADA DA AMOSTRA DE TERRA
Para
a retirada da amostra de terra indica-se dividir a propriedade ou a
gleba em partes do terreno que sejam semelhantes quanto a cor, tipo do
solo, relevo(caimento) e que tenham recebido mesmas adubações em anos
anteriores. As amostras devem ser coletadas em 15 a 20 pontos para cada
10 hectares ou 4 alqueires, através do uso de trados ou enxadões.
Sempre é bom lembrar que a coleta de terra não deve ser realizada
próxima a construções, vossorocas, sulcos de erosão, formigueiros e
estrada.
As
amostras de terra das áreas parecidas(no máximo 4 alqueires) devem ser
misturadas num balde limpo. Em seguida retira-se 500 g da mistura,
colocando-a nos recipientes apropriados (saquinho ou caixinha). Logo
após, tais amostras devem ser enviadas a um laboratório especializado,
com antecedência da época de plantio. Após a chegada dos resultados
da análise da terra procure o Engenheiro Agrônomo da sua região para
as devidas recomendações.
6)
CALAGEM
Se
através da análise da terra for demonstrada a necessidade da
aplicação de calcário, deve-se proceder sua distribuição e
incorporação 2 a 3 meses antes da semeadura, pois seu resultado não
é imediato.
Após
determinação da quantidade e do tipo do calcário, este deverá ser
espalhado no terreno ,metade antes da aração e a outra metade antes da
gradeação. Se a quantidade a ser usada for muito grande (maior que 6
toneladas/ ha) recomenda-se dividir a calagem em dois anos, objetivando
maior facilidade de trabalho, e melhor afeito.
O
calcário é um produto extremamente importante para as culturas pois,
alem de promover a correção da acidez do solo, ainda possui dois
nutrientes importantes para a produção o cálcio (Ca) e o magnésio
(Mg).
7)
ADUBAÇÃO
A
necessidade da adubação é mostrada pelos resultados da análise do
solo. É através de cálculos efetuados com esses resultados é que se
faz a recomendação de adubação e a escolha da melhor fórmula do
adubo á ser usado. Para as recomendações consulte o engenheiro
agrônomo responsável por sua lavoura.
7.1)
Rotação de cultura e adubação verde
A rotação de cultura com uma leguminosa (soja) e uma gramínea (no
caso, o milho) é uma das praticas mais efetivas para se obter altas
produções, tanto de milho quanto de leguminosa. A rotação reduz o
nível de pragas e melhora as condições físicas do solo para a
cultura seguinte. No caso do milho a rotação com soja permite e
economia de nitrogênio.
Outras
culturas, que não leguminosas, apresentam também bons resultados de
rotação, como o algodão, a mamona etc.
Recentemente,
tem-se observado, em algumas regiões, o aparecimento de nematóides
trazendo prejuízos consideráveis. Nesse caso a rotação de cultura é
obrigatória para reduzir os níveis de infestação. Alem disso ,
tem-se tornado comum nessas regiões, a utilização de adubação
verde, como a mucuna preta, para se reduzir os níveis de infestação.
Esses
adubos verdes são plantados logo após a colheita do milho (março),
crescem durante o inverno, e são incorporados em Agosto/setembro, no
momento de preparo do solo para plantio.
8)
ESCOLHA DA BOA SEMENTE
O
rendimento de uma lavoura de milho é resultado do potencial genético
da semente e das condições do local de plantio, além do manejo da
lavoura. De modo geral, cada um destes fatores (semente e manejo) são
responsáveis por 50 % do rendimento final. Conseqüentemente, a escolha
correta da semente pode ser razão de sucesso ou insucesso da lavoura. A
variedade não deve ser definida pelo gosto pessoal ou preço, considere
as características do cultivar e do sistema de produção. Na escolha
da cultivar, o produtor deve fazer um avaliação completa das
informações geradas pelas pesquisas, assistência técnica; empresas
produtoras de semente, experiências regionais e pelo comportamento de
safras passadas.
Um
dos primeiros aspectos a ser considerado é a adaptação do cultivar
á região. De acordo com o grau de melhoramento genético, encontram-se
hoje no mercado variedades, híbridos duplos, híbridos triplos e
híbridos simples sendo que os híbridos triplos e simples podem ser dos
tipos modificados ou não.
Os
híbridos por sua vez, só tem alto vigor e produtividade na primeira
geração, sendo necessária a aquisição de novas sementes híbridas
todos os anos. Se os grãos colhidos forem semeados, o que corresponde a
uma segunda geração, haverá redução, dependendo do tipo do
híbrido, de 15 a 40 % na produtividade, perda de vigor e grande
variação entre plantas.
Os
híbridos simples são potencialmente mais produtivos que os de outros
tipo, apresentando maior uniformidade de plantas e espigas. Os híbridos
triplos também são bastante uniformes e seu potencial produtivo é
intermediário entre os híbridos simples e duplos. O mesmo ocorre com o
preço de suas sementes.
Os
híbridos duplos são um pouco mais variáveis em características da
planta e espiga que os simples e triplos. O custo da semente dos duplos
é mais baixo que o preço da semente dos simples e triplos.
Os
híbridos apresentam características morfofisiológicas distintas,
como: arquitetura de planta, qualidade do colmo e raiz, sincronismo de
florescimento, tolerância a estries de seca e temperatura, tolerância
às pragas e doenças. Outras características a serem consideradas na
escolha da cultivar são:
8.1) Ciclo
Neste tópico, os materiais podem ser agrupados em : super- precoce,
precoce e normais ou tardios. Às vezes, as empresas produtoras de
sementes usam ainda um outro grupo, o semi- precoce. O ciclo de um
cultivar pode se determinado em numero de dias da semeadura até a
maturação fisiológica ou até a colheita. Tecnicamente, o ciclo de um
cultivar leva em consideração as unidades de calor necessárias para
atingir o florescimento. Cerca de 50 % dos cultivares existentes no
mercado são classificadas como precoces, e o restante distribuídas
igualmente entre super- precoces e normais.
O
agricultor deve ter em mente que esta variação no ciclo dos cultivares
não é muito rígida, e a diferença entre os materiais mais tardios e
os mais super -precoces pode não chegar a 10 dias. Além disso, essa
classificação não é rigorosa, e um cultivar super- precoce pode se
comportar como precoce e vice-versa. Além do ciclo ,algumas cultivares
apresentam uma taxa de secagem de grãos (dry down) mais rápida, o que
permite uma colheita mais cedo.
8.2)
Tolerância a Doenças
As
enfermidades podem ocorrer de forma epidêmica, atingindo até 100 % das
plantas na lavoura. Segundo levantamento feito pela Embrapa Milho e
Sorgo, até o momento já se detectou os seguintes percentuais de
redução na produção ;causada por doenças foliares; enfezamentos -
100 %, ferrugem - 80%, Phaeosphaeria - 63 %, mosaico- comum - 50 % e
raiado fino - 30% .
Em
áreas de plantio direto, os problemas poderão ser agravados,
principalmente com helmintosporiose e podridões do colmo e espigas. O
problema com doenças é sério especialmente onde a cultura permanece
no campo todo o ano, como em áreas irrigadas ou onde o plantio de
safrinha é significativo. Nessas situações, é fundamental a escolha
de cultivares tolerantes às principais doenças, para evitar redução
na produtividade.
8.3) Qualidade do Colmo
Com o
aumento do nível tecnológico na cultura do milho, outro fator que deve
ser considerado é a resistência da planta tanto ao acamamento como ao
quebramento.. Embora estas características também sejam afetadas pelo
manejo da lavoura, elas variam com o cultivar. Lavouras que serão
colhidas mecanicamente devem ser plantadas com cultivares que apresentam
boa qualidade de colmo, evitando, desta forma, perdas na colheita
8.4)
Textura do grão
Os
milhos comuns podem apresentar grãos dentados, semiduros e
semidentados, de características intermediárias. Os grãos duros tem a
vantagem de boa armazenagem e qualidade de germinação. Além disto,
são preferidos em algumas situações, pela indústria alimentícia,
alcançando preço um pouco superior ao mercado. Por outro lado, algumas
indústrias não compram milho de grãos dentados ou pagam um preço
menor.
A semente representa uma séria de avanços tecnológicos, como: maior
produtividade, melhor qualidade de grãos , maior resistência ao
acamamento e ao quebramento, resistência ou tolerância a pragas e
doenças, maior eficiência no uso de nutrientes ou a resistência a
estresses ambientais. Por isso com todas estas considerações,
conclui-se que a escolha do cultivar é uma tarefa complexa.
O
agricultor deverá levar em consideração todas as informações que
conseguir junto às empresas produtoras de sementes, assistência
técnica e pesquisa, de forma a ajustar a semente escolhida ao seu
sistema de produção, principalmente tendo consciência de que,
anualmente, novas cultivares são lançadas no mercado.
No
caso específico do plantio direto, em algumas situações, há uma
maior dificuldade no estabelecimento da densidade de plantio desejada,
especialmente em condições com alta quantidade de resíduos e em solo
mais úmido ou mal drenado. Também uma distribuição irregular de
resíduos na superfície do solo, desuniformidade do microrrelevo podem
contribuir para reduzir a densidade de plantio, provocar emergência
desuniforme, diminuir o crescimento inicial e atrasar a maturidade. Para
compensar estes problemas, recomenda-se que os cultivares para o plantio
direto apresentem um melhor enraizamento, melhor vigor inicial e rapidez
de desenvolvimento. Por outro lado , para assegurar a densidade
desejada, é comum aumentar a quantidade de semente de 5 a 10% comparada
com o plantio convencional, se o produtor não confia no desempenho
perfeito de sua plantadeira.
9)
DENSIDADE DE PLANTIO
Definida
como o número de plantas por unidade de área, esta tem papel importante
no rendimento de uma lavoura de milho, uma vez que pequenas variações
na densidade tem grande influência no rendimento final da cultura. Esta
característica não é tão importante em outras culturas com grande
capacidade de perfilhamento, como a arroz, trigo, aveia, sorgo e outras
gramíneas, ou de maior habilidade de produção de floradas, como o
feijão ou a soja. Isto faz com que o agricultor deva dedicar especial
atenção á operação de plantio, de forma assegurar a densidade
desejada na ocasião da colheita.
Em
termos genéricos, verifica-se que cultivares precoces (ciclo mais
curto) exigem maior densidade de plantio em relação a materiais
tardios (ciclo mais longo), para expressarem seu máximo rendimento. A
razão desta diferença é que cultivares mais precoces, geralmente,
possuem plantas de menor altura e massa vegetativa. Estas
características morfológicas determina um menor sombreamento dentro da
cultura, possibilitando com isto um menor espaçamento entre plantas
para melhor aproveitamento de luz. Mesmo entre os grupos de cultivares
(precoces ou tardios) há diferenças quanto a densidade ótima de
plantio.
Uma
análise de mais de 130 cultivares de milho, mostra que as densidades
recomendadas variam basicamente de 40 a 65.000 plantas por hectare. Com
relação à disponibilidade hídrica e de nutrientes, observa-se que a
densidade deve ser aumentada sempre que estes fatores aumentarem, para
que seja atingido o máximo rendimento de grãos.
9.1) Espaçamento entre fileiras
Associado à densidade de plantio está o espaçamento entre as fileiras
de milho. No Brasil, este espaçamento é muito variável, indo de 1m
até 80cm, mas verifica-se uma tendência de se utilizar cada vez mais
os espaçamentos reduzidos pelas seguintes razões: aumento no
rendimento de grãos, por propiciar uma distribuição maior de plantas
na área, aumentando a eficiência na utilização de luz solar, água e
nutrientes; melhor controle de plantas daninhas, em função do mais
rápido fechamento dos espaços disponíveis; e redução da erosão,
pela cobertura antecipada da superfície do solo. Já existem
agricultores usando para o milho o mesmo espaçamento preconizado para a
soja.
10)
PROFUNDIDADE DE PLANTIO
A
semeadura é uma etapa importantíssima para a obtenção de colheitas
lucrativas, seja qual for o tipo de implemento. A semeadura correta é
aquela que bem distribui, em numero e profundidade, a quantidade de
sementes recomendada.
Como
resultados práticos observando os solos em nossa região, a
profundidade de plantio têm-se os melhores resultados quando a semente
fica depositada no sulco de plantio a uma profundidade de 5 Cm e o adubo
a uma profundidade de 10 a 15 Cm, sempre ao lado da semente como mostra
o esquema.

11)
CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS
Dados
de pesquisas mostram que, se não houver controle do mato, as perdas em
termos de produção de grãos podem variar de 10 a 84%, com uma média
de 47%. É óbvio que, quanto maior for o nível tecnológico usado e,
conseqüentemente, maior a produtividade esperada, maior deverá ser a
preocupação com o controle de plantas daninhas. Para evitar perdas no
rendimento, a lavoura deve ser mantida no limpo até a 6ª ou 7ª
semanas após a emergência do milho.
Um
bom controle do mato pode ser obtido tanto manualmente, com o uso de
tração animal ou mecânica, ou ainda através de produtos químicos
(herbicidas). Com um bom controle em pré-emergência ou pós-precoce
você tem mais produção.
Havendo
condições favoráveis de umidade e temperatura no solo, as sementes
germinarão, em média, cinco dias após a semeadura. Depois da
germinação, há necessidade de controlar o desenvolvimento de ervas
daninhas que aparecem junto a cultura. As invasoras prejudicam a cultura,
pois o milho é uma planta adaptada e as ervas daninhas estão em seu habitat
natural.
12)
DOENÇAS NA CULTURA DO MILHO
Com
o advento do milho safrinha aumentou bastante a importância das
doenças na cultura do milho, principalmente das ferrugens que só
sobrevivem em material vivo.
o
controle das doenças se faz através da escolha de cultivares
resistentes. Atualmente existem, no mercado, cultivares com resistência
a todas as principais doenças.
12.1)
Principais doenças do milho
12.1.1) Ferrugem causada por polysora - Puccinia polysora.
As pústulas são menores, de cor mais clara e mais arredondadas do
que as produzidas por P. sorghi. Encontram-se, também, em
ambas as faces das folhas, mas a epiderme fica intacta por mais tempo
do que nas folhas atacadas por P. sorghi. As pústulas adquirem
uma coloração marrom-escura a medida que as plantas se aproximam da
maturação. Não se conhece hospedeiro intermediário desse fungo.
Essa ferrugem é muito comum em regiões quentes e úmidas.
12.1.2)
Ferrugem comum - Puccinia sorghi
Esta moléstia acha-se amplamente distribuída por todo o mundo. A
ferrugem comum do milho torna-se mais visível quando as plantas se
aproximam da fase do florescimento. Pode ser reconhecida pelas pequenas
pústulas que aparecem na bainha e na lâmina foliar. As pústulas têm
cor marrom-escuro nos primeiros estágios de infecção; mais tarde,
rompe-se a epiderme e, à medida que a planta amadurece, as lesões
adquirem uma coloração preta. As plantas do hospedeiro intermediário
(Oxalis spp) com frequência são infectadas e apresentam
pústulas de cor laranja-clara. Este é outro estágio do ciclo do fungo
(sexual).
12.1.3)
Ferrugem tropical - Physopella
zeae
Os prejuízos causados por esta ferrugem são esporádicos e limitados
às regiões tropicais quentes e úmidas do continente americano.
As
pústulas variam quanto a sua forma, de circulares a ovais. São
pequenas e se encontram debaixo da epiderme. No centro da pústula
lesão é branca a amarela-pálida e logo fica perfurada.
Algumas
vezes aparece uma coloração preta ao redor da pústula, mas seu centro
fica com a cor clara característica. Não se conhece hospedeiro
intermediário do fungo.
12.1.4)
Mancha da folha causada por Phaeosphaeria - Phaeosphaeria
maydis
Esta moléstia, de reduzida importância, encontra-se restrita a algumas
regiões do Brasil e do Norte da Índia, onde também existe Exerohilium
turcicum. Seu desenvolvimento é favorecido por condições de alta
precipitação pluvial e temperaturas noturnas relativamente baixas.
As
lesões aparecem como pequenas áreas de cor verde-clara, que, mais
tarde, ficam cloróticas e morrem, circundadas por margens de cor
marrom-escuro. As manchas nas folhas são circulares ou um pouco ovais.
12.1.5)
Enfezamento do milho - Corn Stunt Disease, CSD
O patógeno foi identificado como um micoplasma helicoidal ou Espiroplasma.
As plantas infestadas mostram bandas amplas de cor amarela na base
das folhas mais jovens que pode tornar-se de coloração
púrpura-avermelhada na direção à ponta. Normalmente as plantas
sofrem de ananismo ou enfezamento, devido a redução dos entrenós. As
gemas axilares desenvolvem espigas estéreis e também apresentam uma
ramificação excessiva das raízes. em casos severos, as plantas não
produzem espigas ou produzem poucas sementes, e também morrem
prematuramente. A moléstia é transmitida por várias espécies de
cigarrinhas que variam em sua eficiência de transmissão; o vetor mais
comum é Dalbulus maidis (De L. & Wolc.). O patógeno não se
transmite mecanicamente.
12.1.6)
Mancha da folha causada por Turcicum - Excerohilium
turcicum
Os primeiros sintomas podem ser facilmente identificados, como pequenas
lesões de forma quase oval e aquosas que aparecem nas folhas do milho.
Elas desenvolvem-se em extensas lesões necróticas, fusiformes.
Aparecem, de início, nas folhas inferiores e continuam aumentando de
tamanho e de número à medida que a planta se desenvolve, até que ela
se apresenta completamente queimada, numa forma muito característica.
A
moléstia aparece em todo o mundo, mas observa-se principalmente, nas
zonas onde ocorrem alta umidade e temperaturas relativamente baixas,
durante o desenvolvimento da planta. Quando a infecção aparece por
ocasião do florescimento da flor feminina e as condições são
favoráveis, ela pode causar vultosos prejuízos econômicos.
13)
CONTROLE DE PRAGAS
13.1)
Lagarta do Cartucho (
Spodoptera frugiperda )
São conhecidas também por lagartas dos milharais e lagarta militar. As
mariposas põem os ovos na página superior das folhas e num total de
150. Após três dias nascem as lagartinhas que passam a alimentar-se,
de preferência, das folhas mais novas do milho. Após completo
desenvolvimento, atacam todas as folhas centrais, destruindo-as
completamente. A duração do período larval é de 12 a 30 dias, findo
o qual a lagarta mede aproximadamente 50 mm de comprimento. Sua
coloração varia de pardo escura,verde até quase preta. Apresentam
três finíssimas linhas longitudinais branco amareladas na parte dorsal
do corpo. Na parte lateral, logo abaixo da linha branco amarelada,
existe uma linha escura mais larga e, inferiormente a esta, uma listra
amarela irregular marcada com vermelho.
Devido
ao canibalismo é comum encontrar-se apenas uma lagarta desenvolvida por
cartucho. Pode-se encontrar lagartas em ínstares diferentes num mesmo
cartucho, separadas pelas lâminas das folhas. Findo o período larval,
as lagartas penetram no solo, onde se transformam em crisálidas de
coloração avermelhada, medindo cerca de 15 mm de comprimento. O
período pupal é de 21 dias no verão, sendo de 50 dias no inverno,
findos os quais surgem o adulto. A mariposa mede cerca de 35 mm de
envergadura, sendo as asas anteriores pardo escuras e as posteriores
branco acinzentadas.
13.1.1) Prejuízos
: Essa lagarta ataca o cartucho do milho chegando a destruí-lo
completamente e, nesse caso, chama a atenção a quantidade de
excreções existentes na planta. As lagartinhas novas apenas raspam
as folhas, mas depois de desenvolvidas, conseguem fazer furos, até
destruí-las completamente. Essa praga pode reduzir, através da
destruição das folhas, a produção do milho em até 20%, sendo os
períodos críticos de seu ataque na época próxima do florescimento.
13.1.2) Controle
: As causas do insucesso no controle dessa praga são o combate tardio
à praga e métodos inadequados de aplicação de inseticidas.
Recomenda-se, então, efetuar o controle logo que surjam os primeiros
ataques ao cartucho, aplicando-se os produtos piretróides ou fosforados
em pulverização, com bico em leque, para deposição dos produtos no
local de ataque da praga (cartucho).
13.2)
Lagarta Elasmo
(Elasmopalpus lignosellus)
Completamente desenvolvida, a lagarta mede 15 mm de comprimento. As
lagartas são muito ativas, possuindo coloração verde azulada, sendo a
cabeça pequena e de coloração marrom escura. Inicialmente, a lagarta
alimenta-se das folhas para, em seguida, localizar-se na parte inferior
do colmo e ao nível do solo, nas plantas novas. No centro da haste
constroem galerias mistas de terra e teia, que se comunicam com o
exterior. Logo abaixo da superfície do solo, encontram-se, no orifício
da galeria, excrementos e fragmentos da planta. Findo o período larval,
transformam-se em crisálidas, próximo da base da planta ou nas
proximidades desta no solo. A mariposa mede de 15 a 25 mm de
envergadura, com as asas de coloração cinza.
13.2.1) Prejuízos
: A lagarta ataca as plantas de milho com 30 cm de altura e pela
destruição da gema apical, ocorre a morte da folha ainda enrolada. A
morte desta folha central, provoca a sintomatologia conhecida como
"coração morto". Uma folha enrolada, atacada pelo elasmo,
quando chega a abrir apresenta orifícios bem redondos uns ao lado dos
outros.
Essa
praga ocorre com maior freqüência em solos arenosos e em períodos
secos após as primeiras chuvas. Os maiores prejuízos são causados nos
primeiros 30 dias após a germinação das plantas.
13.2.2) Controle
: Tratamento preventivo das sementes com produtos a base de Carbofuram
ou Thiodicarb. Os melhores
resultados para o controle da lagarta elasmo são obtidos com a
utilização de inseticidas sistêmicos aplicados preventivamente no
solo, por ocasião do plantio. este tipo de controle é recomendado
porém, somente em regiões onde tradicionalmente ocorre praga. Em
locais onde a ocorrência é esporádica, recomenda-se uma
pulverização, dirigindo-se o jato da calda inseticida para a região
do colo da planta. Para esta aplicação, podem-se utilizar produtos à
base de Carbaryl, Malathion ou Trichlorphon ou Cloropirifos.
13.3)
Pragas das Espigas
(Heliothis zea)
O adulto, que é uma mariposa, põe os ovos nos "cabelos" das
espigas. Os ovos são de forma hemisférica, medindo cerca de 1 mm de
diâmetro, são de coloração branca no início e, posteriormente,
tornam-se marrons próximo à eclosão. Os ovos apresentam lateralmente
saliências. Após 3 a 5 dias de postura dá-se a eclosão, surgindo as
lagartinhas de coloração branca, com cabeça marrom. Inicialmente
alimentam-se dos "cabelos" novos ou estigmas; em seguida,
quando estes começam a murchar ou secar, atacam os grãos novos. As
lagartas, para completarem o seu ciclo evolutivo, mudam 5 vezes de pele.
Findo o período larval medem cerca de 40 a 50 mm de comprimento,
possuindo coloração variável como verde, marrom, branco sujo e até
preta com listras de duas a três cores, longitudinais. A faze larval
tem a duração de 13 a 25 dias. Antes de passar a crisálida a lagarta
abandona a planta e cai ao solo, penetrando neste, de acordo com sua
consistência, de 4 a 22 cm de profundidade. No solo faz uma espécie de
célula ou câmara com uma galeria de saída para a superfície da
terra, para a emergência do adulto, passando em seguida a crisálida. A
crisálida mede cerca de 20 mm de comprimento e possui coloração
marrom. O período pupal atinge cerca de 14 dias, de acordo com a
variação de temperatura. O adulto emerge pela galeria preparada
anteriormente pela lagarta. Mede de 30 a 40 mm de envergadura.
Geralmente, apresenta as asas anteriores cinza esverdeadas ou escuras. O
acasalamento é feito logo após a emergência e a postura é feita ao
anoitecer. Os ovos podem ser colocados em qualquer parte da planta, de
preferência nos "cabelos" das espigas. A fêmea pode por,
durante toda a sua vida, que é de 12 a 15 dias, de 400 a 3000 ovos, em
média, 1000 ovos. O ciclo evolutivo completo é, em média, de 30 a 40
dias.
13.3.1) Prejuízos
: É uma praga grandemente nociva ao milho, prejudicando a produção
de três formas:
1ª
- atacando os cabelos, impede a fertilização e, em conseqüência,
surgirão falhas nas espigas;
2ª
- alimentando-se dos grãos leitosos, destrói os mesmos;
3ª
- os orifícios deixados nos grãos leitosos facilitam a penetração
de microorganismos e pragas dos grãos.
Segundo
pesquisas os danos causados por esta praga são da ordem de 8 a 9%.
13.3.2) Controle
: Quando feito, deve-se visar apenas as espigas na região do cabelo.
Essa aplicação só será conseguida através de pulverizações
manuais. Daí ser problemático o controle desta praga em grandes
áreas, dependendo da disponibilidade de mão-de-obra. Os inseticidas
podem ser os mesmos indicados para S. frugiperda.
13.4) Lagarta-rosca - Agrotis app. Lepidoptera-Noctuidae
Várias espécies de lagarta-rosca atacam a cultura de milho, porém a
espécie A. ipsilon tem sido a mais comum. As plantas atacadas
por lagarta-rosca são totalmente improdutivas. Tem sido observado que a
cada ano agrícola aumenta a infestação de lagarta-rosca em áreas
cultivadas com milho.
O
adulto é uma mariposa, geralmente de coloração marrom-escura, com
áreas claras no primeiro par de asas e coloração clara com os bordos
escuros, no segundo par. Mede cerca de 35mm de envergadura. As posturas
são feitas na parte aérea da planta e cada fêmea tem um potencial
para colocar, em média, 750 ovos, durante a sua vida. Após a eclosão,
as lagartas dirigem-se para o solo, onde permanecem protegidas durante o
dia, só saindo ao anoitecer para se alimentarem. A larva deste inseto
alimenta-se da haste da planta, provocando o seccionamento da mesma -
que pode ser total quando as plantas estão com uma altura de até 20cm,
pois ainda são muito tenras e finas.
As
larvas, quando completamente desenvolvidas, medem cerca de 40mm, são
robustas, cilíndricas, lisas e apresentam coloração varíável,
predominando a cor cinza-escura. A fase larval dura cerca de 25 a 30
dias, transformando-se na fase pupal no próprio solo, onde permanece
pupa por cerca de 2 a 3 semanas, quando então emergem os adultos.
13.4.1) Identificação no campo
O milho, geralmente, só é atacado pela lagarta-rosca até 50cm de
altura. Pode-se identificar o ataque em plantas que apresentam o colmo
seccionado na região do coleto. O ataque de lagarta-rosca provoca
três sintomas diferentes: inicialmente as lagartas provocam
seccionamento parcial do colo e, quando a lesão é grande, surge o
chamado "coração morto", com a conseqüente morte da
planta; quando a lesão é pequena surgem manchas semelhantes às
causadas por "deficiências minerais"; a lagarta-rosca pode
também provocar um "perfilhamento", que é indesejável,
pois surgirá uma touceira totalmente improdutiva. Uma larva é capaz
de destruir de 4 a 6 plantas. As lagartas abrigam-se no solo em volta
das plantas recém-atacadas, numa faixa lateral de 10cm e numa
profundidade de 7cm. Quando tocadas, as lagartas enrolam-se tomando o
aspecto de uma rosca.
Muitas
vezes o ataque de A.ipsilon é confundido com o de E.
lignosellus; porém pode ser facilmente distinguido uma vez que a
lagarta-elasmo faz orifício e penetra no colmo, enquanto que a
lagarta-rosca alimenta-se externamente sem penetrar na planta.
13.4.2) Controle
Os mesmos produtos recomendados para o controle da lagarta-elasmo são
também eficientes no controle da lagarta-rosca.
14) COLHEITA
O
atraso na colheita provoca prejuízos, quais sejam: tombamento, o
apodrecimento da espiga e o ataque de pragas.
Para
minimizar esses prejuízos é importante que o milho seja colhido em seu
ponto ideal, que é o ponto quando ele está com 18 a 22% de umidade
para colheita mecânica e de 15 a 18% para a colheita manual. o milho
colhido manualmente entre 15 a 18% pode ser armazenado, em espigas, em
paióis, sem problemas desde que estes sejam bem arejados.
15) FONTES E
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
-
EMBRAPA/CNPMS.
Recomendações técnicas para o cultura de milho. Sete Lagoas,
1982. 53p (Circular Técnica, 6)
-
Dourado
Neto, Durval
-
Produção
de milho. / Durval Dourado Neto, Antonio Luiz Fancelli - Guaíba:
Agropecuária 2000. 360p.
-
Manual
técnico Brakalb 1998/1999
-
Manual
técnico Cargil 1999/2000
-
Manual
Técnico Agroeste 1998/1999
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