A CULTURA DO TRIGO
(Triticum aestivun)

1) INTRODUÇÃO

A cultura do trigo na região de Campos Novos, merece receber uma atenção especial, pois além de ser um cereal gerador de receitas, é também uma fonte de alimento básica para a nossa sociedade.

Em função do nosso clima favorável, a cultura tem apresentado bons níveis de produtividade.

Nos últimos 4 anos a área de plantio na região de Campos Novos ficou em torno de 6.100 ha.

É de vital importância que o governo dê condições para que o produtor possa produzir mais, com qualidade, que tenha acesso ao crédito rural e ao seguro agrícola.

 

2) ESCOLHA DO TALHÃO

A escolha do talhão deve ser realizada após um estudo da área, onde se possa conhecer com segurança suas características, que tenha boa fertilidade, livre de acidez, escolher áreas com práticas de rotação de culturas, livre de pragas e doenças para evitar baixos rendimentos.

 

3) PREPARO DO SOLO

Consiste num conjunto de práticas que usando racionalmente poderá manter o solo com altas produtividades, quando usado incorreto, pode ser levado rapidamente à sua degradação, diminuindo o seu potencial de produção.

3.1) Convencional
Sistema de preparo de solo, onde é usado o arado e gradagens superficiais antes da semeadura. Neste sistema, a falta de cobertura morta, o excesso de chuvas, pode resultar na baixa produtividade da lavoura.

São os principais fatores para causar erosão e a degradação do solo.

3.2) Plantio Direto
Esta prática consiste na semeadura sobre a palha, em áreas onde não são revolvidos o solo por vários anos.

A cobertura do solo é fator responsável pela sua proteção contra os efeitos das chuvas, ajuda a infiltração das águas no perfil do solo, além de manter o controle de ervas daninhas.

Em Campos Novos a área de plantio direto já atingiu 90% em relação ao sistema convencional.

Pode-se dizer que o Sistema de Plantio Direto em Campos Novos, já está consolidado.

3.3) Escolha na cobertura morta
A escolha da cobertura morta deve ser no sentido das plantas produzirem uma maior quantidade de biomassa, que não sejam hospedeiras de pragas e doenças, que fixem nitrogênio, tenham um sistema radicular profundo e sejam capazes de nutrir as plantas com a reciclagem de seus nutrientes.

 

4) ADUBAÇÃO DE BASE

É através de uma análise de solo bem feita e do histórico da área que será feita a recomendação da adubação, para que a cultura receba doses de fertilizantes adequadas às suas necessidades, sendo que a mesma poderá ser modificada de acordo com os critérios da assistência técnica e ser adequada de acordo com as condições do produto.

As aplicações de Nitrogênio, Fósforo e Potássio também deve ser realizado de acordo com as análises de solo.

 

5) ESCOLHA DA VARIEDADE

Para a cultura do trigo, as cultivares estão subdivididas em dois grupos: as preferenciais e as toleradas.

As toleradas são aquelas que em ensaios por anos consecutivos ou alternados apresentam uma produtividade menor que a média do ensaio, as vezes com alta suscetibilidade à doenças fúngicas.

A preferencial apresenta um bom comportamento, resistente à doenças e uma melhor produtividade.

Campos Novos é uma região considerada como área recomendada para o cultivo do trigo, por isso deve-se escolher cultivares que possuem um alto potencial produtivo, respeitar as datas de plantio que gira em torno de 10/06 a 31/07.

Deve-se também optar pela escolha de mais de uma cultivar, podendo com isto obter uma melhor estabilidade no rendimento das lavouras.

As cultivares recomendadas para Campos Novos são as seguintes:

  • BRS-49
     

  • RUBI
     

  • FUNDACEP 32
     

  • BRS-119

 

6) DENSIDADE DE PLANTIO

Para a cultura do trigo, a densidade normalmente usada é de 300 a 330 sementes aptas por m2, para cultivares precoces, devendo aumentar para plantios no final do período recomendado.

A semeadura pode ser realizada tanto a lanço como em linha, sendo o plantio em linha uma semeadura mais uniforme, com melhor aproveitamento da adubação, menos danos às plantas e um melhor monitoramento à cultura.

A distância entre linhas deve ficar entre 17 a 20 cm.

 

7) TRATAMENTO DE SEMENTES

O tratamento de sementes tem por objetivo melhorar a qualidade da semente, como também impedir por um período de tempo que algumas doenças possam desenvolver e baixar o stand da lavoura.

É recomendado que se faça tratamento em lavouras com rotação de culturas de inverno ou áreas novas.

Deve-se realizar o tratamento de sementes para o controle de fungos patogênicos como Bipolaris sorokiniana , Dreschslera tritice-repentis e Stagonospora nodorum.

Existem vários fungicidas atualmente recomendados para o tratamento de sementes, visando o controle dessas doenças.

Para melhores esclarecimentos os produtores deverão contatar-se com os técnicos da área.

 

8) PROFUNDIDADE DE PLANTIO

A profundidade de plantio para a Cultura do Trigo deve ficar entre 2cm a 5 cm.

 

9) MANEJO DAS PLANTAS DANINHAS

O sucesso de uma lavoura de trigo depende muito dos cuidados que se toma desde a sua implantação até a colheita.

Um dos fatores que contribuem para o aumento dos prejuízos das lavouras é a infestação de plantas daninhas, podendo ocorrer altos prejuízos e queda acentuada na produtividade devido a concorrência com a cultura.

As principais plantas daninhas na cultura do trigo são o nabo, aveia, azevém, cipó de veado e vica.

Os métodos usados para o controle são o químico, utilizando herbicidas pós emergentes.

O controle mecânico é realizado em pequenas áreas com capina manual.

O controle cultural consiste em manter as lavouras sadias e para isto é necessário que a cultura seja plantada num espaçamento ideal, onde feche rapidamente as entre linhas, impossibilitando o desenvolvimento das plantas daninhas.

 

10) MANEJO DE DOENÇAS

Para o manejo das doenças na cultura do trigo, o ideal seria usar cultivares resistentes, mas nem todas são resistentes a todas as doenças, por isso se faz necessário a rotação de cultura, o tratamento de sementes, eliminação de plantas voluntárias e hospedeiros secundários.

Usa-se também o controle químico na parte aérea da planta com fungicidas, onde a sua ação é mais rápida.

Na região de Campos Novos as doenças mais comuns são a Ferrugem da Folha, Ferrugem do Colmo, Manchas Foliares e Giberela.

A aplicação de fungicida nas lavouras é uma prática que exige um planejamento do técnico junto com o produtor, onde irão considerar fatores como modo de ação, eficiência, aspectos toxicológicos e econômicos.

Doenças como a podridão comum das raízes, causadas por fungos (Bipolaris sorokiniana, Gaeumannomyces graminis var. tritici), manchas foliares Bipolaris sorokiniana, Dreschslera tritice-repentis, Septoria nodorum e S. tritici) e mal do pé, causado por G. graminis var. tritice, são necessários que se faça a rotação de cultura por dois anos para o seu controle.

Culturas como o nabo forrageiro, ervilhaca e aveia preta podem ser alternativas no sistema de rotação de cultura de inverno, visando o controle dessas doenças.

 

11) CONTROLE DE PRAGAS

O monitoramento das lavouras deverá ser realizado desde a sua implantação até a colheita.

O controle de pragas é uma prática que visa obter bons resultados na produção e a decisão de se aplicar inseticidas só deve ser tomada quando os níveis populacionais das pragas causarem danos econômicos à produção.

É de fundamental importância que na hora da aplicação, escolham produtos seletivos que preservem os inimigos naturais, possibilitando a redução do número de aplicações de inseticidas altamente tóxicos.

As pragas mais comuns na cultura do trigo são as lagartas, pulgões e corós.

Os tratamentos de sementes também é viável no controle de algumas pragas.

 

12) COLHEITA

Todos os esforços e os cuidados que se teve durante todo o ciclo da cultura pode ser perdido se não for realizada uma colheita de maneira eficiente.

Ela deve assegurar tanto a produtividade como a qualidade final do produto.

O trigo atinge a maturação fisiológica com 40 % de umidade no grão. A partir daí há somente perda de água.

Deve-se iniciar a colheita quando o grão tiver entre 18 a 16% de umidade. Acima de 18% o grão sofrerá danos mecânicos, afetando a qualidade final do produto.

É imprescindível que o produtor antes de realizar a colheita, verifique se sua máquina está em perfeitas condições de trabalho, para evitar perdas de tempo e paradas durante a colheita.

 

13) PRODUTO FINAL

Cerca de 30% do trigo colhido em Campos Novos é transformado em sementes.

O restante do trigo recebido é vendido para os moinhos da região para transformação em farinha para consumo humano e farelo de trigo para ração animal.

 

 

   
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