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Ë inquestionável que o Brasil apresenta condições muito favoráveis à exploração de bovinos em sistemas de pastagens. Isso se deve a grande dimensão continental do país, que permite a disponibilidade de recursos naturais como solo, água e energia solar, fatores indispensáveis a produtividade das pastagens. Estima-se que os pastos ocupem cerca de 76% da superfície usada pela a agricultura, o que corresponde a 20% da área total do país. A importância econômica das pastagens pode ser facilmente caracterizada porque constituem a base dos sistemas de produção de bovinos a pasto, sendo responsáveis por grande parte da produção de carne, leite, lã, entre outros subprodutos. O setor pecuário tem participação significativa na formação do PIB agrícola, na geração de empregos, consumo de insumos, máquinas, equipamentos e serviços. As áreas de pastagens tem sido e continuarão sendo a base para a produção e alimentação animal a baixo custo. Sua fisionomia oferece uma contínua oportunidade para melhoramento de pastagens, visando a obtenção de nitrogênio e qualidade de forragem para distintos sistemas de produção animal e de solo. O ecossistema da pastagem pode apresentar múltiplas manifestações de acordo com a dinâmica do clima, a natureza do solo, sua fauna e microorganismos, o povoamento animal, a composição florística considerada e o nível de interferência humana. Nos ecossistemas naturais em uso desde que o meio não seja sensivelmente perturbado, a dinâmica do clima e os mecanismos internos de adaptação atuam no sentido de restabelecer o climax anterior. A exploração das plantas forrageiras sob pastejo leva em conta a manutenção de oferta de nutrientes (qualidade e quantidade) em níveis mínimos de variação e com índices eficientes de aceitabilidade. A consecução desse objetivo se apoia na utilização dos estádios mais produtivos das plantas, caracterizados por fases de ativo crescimento, registrados principalmente na primavera/verão para as tropicais e outono/primavera para as temperadas. A região Planalto Sul de Santa Catarina, onde se insere Campos Novos, apresenta condições naturais favoráveis às práticas agropecuárias. Historicamente dedicou-se a produção pecuária, predominando a exploração extensiva em que alimentação dos rebanhos baseava-se na produção dos campos nativos, onde gramíneas de crescimento estival são o principal componente, resultando uma oferta irregular de forragem durante o ano refletida nos baixos índices de eficiência do rebanho: carga animal, em média 0,35 UA; taxa de natalidade de 50% das vacas entouradas e peso para abate atingido aos 4 a 5 anos, com isso o desfrute oscila entre 10 e 13%. Aqui, os insumos utilizados nas propriedades, a exemplo de outras regiões, estão limitados ao uso mínimo de mão-de-obra, cercas e sanidade animal. Calcário e fertilizantes não são aplicados no campo nativo. Daí resulta a baixa produção anual de matéria seca do campo que oscila entre 3 e 5 toneladas por hectare, e por conseqüência a oscilação na oferta de forragem durante o ano. A década de 70 foi um período de transição e de mudanças na atividade pecuária. O gado exitente, na região, até então, era uma mestiçagem entre vários cruzamentos de espécies européias e zebuínas. Sofreu a influência de programas oficiais da época onde introduziu-se animais de raças especializadas e desenvolvido sistemas de alimentação que permitiram uma sensível melhora no padrão do rebanho bovino da região. Para isso muito contribuíram as cabanhas especializadas na multiplicação de matrizes e reprodutores de qualidade. Com a intensificação da agricultura iniciada nessa época foi possível a utilização de pastagens cultivadas que, em muito contribuíram para a evolução pecuária. As mudanças não pararam por aí, pois as lavouras de culturas anuais, sobretudo no final da década de 80, ocuparam boa parte das áreas de pastagens nativas, a pecuária leiteira foi desenvolvida e hoje constatamos uma alteração dessa atividade em relação a tempos idos. Entre as mudanças verificamos que a pecuária de corte cedeu espaço para a agricultura e pecuária leiteira que são praticadas em sistemas altamente eficientes, ficando aquela relegada a alguns produtores tradicionais que não aderiram totalmente às mudanças e de outro lado produtores modernos que se utilizam de sistemas de manejo intensivo e que logram bons resultados na atividade. Dentre as tecnologias utilizadas na pecuária de corte e de leite estão: o manejo reprodutivo com uso de raças e reprodutores de alta qualidade, inseminação artificial e até transplante de embrião; manejo sanitário que minimiza a ação de doenças, endo e exoparasitas e manejo alimentar baseado no uso de forragens conservadas como feno e silagem e, principalmente pastagens de alta qualidade. As pastagens mais utilizadas na região são: os campos nativos, as forragens cultivadas anuais como aveia, azevém, ervilhaca, no inverno; o capim-italiano e sorgo, no verão, tanto em cultivo solteiro como consorciado; há ainda as pastagens perenes como os trevos vermelho e branco, o cornichão, a alfafa, a festuca, o dactilo, a cevadilha, usados principalmente em sistemas de consóricos. Além destas existem espécies de clima tropical que encontram clima favorável ao seu desenvolvimento como é o caso da tifton, hermatria, capim-elefante, cana-de-açúcar e outras em fase de teste como é o caso da tanzânia, mombaça, etc. Em que pese a importância do campo nativo e das espécies tropicais, daremos mais atenção às pastagens cultivadas, através de uma breve descrição das espécies e suas formas de utilização nesta região.
TREVO BRANCO
Ainda que em semeadura isolada o trevo branco possa render até 10.000 kg/há de matéria seca, o seu principal objetivo deve ser a consorciação com gramíneas e até outras leguminosas. É perigoso quando dominante, dada sua característica de gerar timpanismo (meteorismo) nos bovinos, sendo que o principal cuidado é manter sempre gramíneas em consorciação. Nestas circunstâncias a sua produção é reduzida devido a competição por água luz e nutrientes, contribuindo com 25% (2.800 a 5.500 kg/há) da produção de forragem da área, porém proporciona incrementos na produção e qualidade da forragem total produzida na área.
TREVO VERMELHO É uma planta de clima temperado e sub-tropical, de ciclo outono/inverno/primavera, decrescendo no verão. Produz boa massa verde com ótimo valor nutritivo Normalmente tem apresentado melhor comportamento nas regiões mais frias. Nesses locais, em regiões mais quentes, sofre com a seca estival, perdendo folhas. Geralmente é de ciclo bienal, mas com verões secos torna-se anual. Normalmente suporta geadas, preferindo outono/inverno frios e verões frescos para o melhor desenvolvimento. É uma planta que apresenta bom comportamento em solos semi-profundos, drenados e de boa fertilidade. É menos exigente em fósforo que o trevo branco. Usado na região principalmente em consorciação com trevo branco, cornichão, azevém, festuca, dactilo e cevadilha. Não suporta pastejo intenso e quando submetido a esse sistema torna-se dominado pelos outros componentes da consorciação, porém em regime de pastejo leve acaba suprimindo o desenvolvimento das outras espécies.
CORNICHÃO Esta espécie tem uma raiz pivotante, que confere tolerância a estiagens. Na região utiliza-se , principalmente, a cultivar são gabriel em sistema consorciado com trevos, azevém, festuca, dactilis e cevadilha. ERVILHACA AZEVÉM
AVEIA No crescimento vegetativo, a aveia possui alta proporção de folhas é suculenta, com elevado grau de umidade, proteínas e sais minerais. A aveia preta é mais rústica, possui maior capacidade de perfilhamento, panícula mais aberta e semente menor, quando comparada à branca e a amarela. É mais resistente ao ataque de doenças e pulgões. Além disso, é mais resistente a seca e menos exigente em fertilidade, sendo, portanto, mais indicada do que as outras duas para adubação verde que as outras duas. A aveia-preta pode ser cultivada solteira ou consorciada com azevém, ervilhaca, centeio, trevos, tremoço e nabo forrageiro etc. Além de excelente forrageira é melhoradora de solos, inclusive utilizada como regeneradora da sua sanidade diminuindo a população de patógenos, resultando em aumentos no rendimento das culturas de verão . Por isso, é recomendada para rotação de culturas dentro do sistema de produção e como planta de cobertura para o sistema Plantio Direto. MILHETO
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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