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1) ASPECTOS
GERAIS
Planta frutÍfera de origem sul-americana (brasileira), conhecida
há mais de 400 anos, também existente no Paraguai, Uruguai e Argentina.
Indígenas tupis saboreiam seu fruto, que chamavam jaboticaba jaboti
(cágado), caba (lugar onde) na forma natural ou em bebida fermentada
que preparavam. Muito conhecida no sul do país a jaboticabeira é encontrada
vegetando desde o estado do Pará ao Rio Grande do Sul. 2)
USOS DA JABOTICABEIRA Planta:
a madeira, resistente, é destinada ao preparo de vigas, esteios, dormentes
e obras internas.
Fruto: em uso caseiro o fruto é consumido ao natural ou usado no preparo
de doces, geléias, licores, vinho, vinagre. Em indústria, o fruto é
usado para o preparo de aguardente, geléias, jeropiga (vinho artificial),
licor, suco, xarope; o extrato do fruto é usado como corante, de vinhos
e vinagres. Em medicina caseira utiliza-se: o chá-de-cascas para tratar
anginas, desinteria e erisipelas; a entrecasca do fruto, em chá, destina-se
ao tratamento de asma. 3)
BOTÂNICA / DESCRIÇÃO / TIPOS A jabuticabeira é vegetal da família Myrtaceae, Dicotiledonae, genero
Myrciaria, que possue várias espécies a saber: M. coronata (jaboticaba
coroada), M. cauliflora (jaboticaba paulista), M. peruviana (jaboticaba
de cabinho), M. grandi flora (jaboticatuba), M. jaboticaba (jaboticaba
sabara), entre outras. Planta com porte
variável (3 a 9 m. de altura - segundo a espécie),
cauliflora (flores em tronco e ramos), folhas opostas e lanceoladas,
flores brancas; fruto globoso, de tamanho variável (diâmetro entre 1,6
a 2,9 cm.), cor variada (roxa, branca, verde, rosada) quando maduro,
polpa branca, saborosa e doce, com 1 a 4 sementes amareladas. Entre os tipos mais comuns encontra-se: Sabará: árvores pequenas, com
grande potencial produtivo, ou árvores grandes com pouco potencial produtivo,
frutos pequenos, roxos, doces, de maturação precoce. Paulista:
árvore de grande porte, frutos grandes, escuros, com maturação tardia. Branca:
árvore pequena, com frutos tamanho médio, cor verde-clara. De
cabinho: com frutos pequenos, rosados, claros, que possuem pedúnculo
(cabinho) comprido. 4)
NECESSIDADES DA PLANTA
Clima - Planta de clima tropical e subtropical úmido, sem excesso
de umidade; não suporta estiagens prolongadas e geadas fortes. Em regiões
secas o cultivo da jaboticabeira requer irrigação adequada; jaboticabeiras
desenvolvendo-se bem são encontradas em regiões onde a temperatura média
anual está em torno de 20ºC (Rio Grande do Sul) a regiões onde a temperatura
média anual está em torno de 30ºC (Pará). A pluviosidade mínima (chuvas)
requerida é de 1.000mm./ano( ideal em torno de 1.500mm./anuais bem
distribuídos).
A umidade relativa do ar entre 75% a 80% e luminosidade em 2.000 horas/luz/ano.
Com cortinas quebra-vento (eucalipto, grevilha, pínus) o pomar deve
ser protegido de ventos dominantes.
Solos
- Embora adaptável a solos de tipos diversos a jabuticabeira
requer, preferencialmente, os sílico argilosos; devem ser profundos,
bem drenados, férteis, com boa umidade (na floração/frutificação), pH
6,5-7,0. Os terrenos devem ter altitude até 500 m.; a planta não se
adapta às várzeas. 5)
PROPAGAÇÃO
A jabuticabeira pode ser propagada por sementes, por estaquia, por enxertia;
embora mais precoces que as plantas pé-franco os enxertos produzem plantas
de copas menores e menos produtivas. Obtenção
de Sementes: Os frutos fornecedores de sementes devem ser colhidos em
plantas boas produtoras, precoces e isentas de pragas e doenças; a seleção
do fruto subordina-se à forma, tamanho, coloração e natureza da
superfície
segundo características da espécie. As sementes obtidas devem ser bem
constituídas, vigorosas e sadias, na sua escolha, eliminar 28 a 30%
delas (mal conformadas e chochas). Um g. de semente pode conter de 40
a 50 unidades. Após romper sua casca (c/canivete ou unha) aperta-se
o fruto para obter-se a semente envolta pela polpa; esta é eliminada
deixando-a fermentar por 24 horas ou lavando-a com cal em peneira ou
esfregando-a sobre peneira ou espremendo-a em saco de pano (tecido ralo).
Em seguida a semente é espalhada sobre papel absorvente ou pano e colocada
a secar à sombra. Por
perder poder germinativo facilmente a semente deve ser posta a germinar
até 5 dias após a sua obtenção. 6)
FORMAÇÃO DE MUDAS Via
sementes: em canteiros de terra em sacos plásticos: Canteiros: para
semeio de grandes quantidades de sementes. O canteiro deve ter 1,2 m.
de largura, comprimento variável; a terra composta de 1 parte de areia,
1 parte de terra argilosa e 4 partes de terra de mata (fértil), com
superfície destorroada a aplainada. O semeio é feito a 1-2 cm. de profundidade,
com espaçamento 30 cm. (entre linhas) e 10 cm. (entre sementes). Abre-se
sulcos transversais, semeia-se, fecha-se sulco e irriga-se bem. A germinação
ocorre em 15 a 30 dias: 6-12 meses após o lançamento das primeiras folhas
a muda com 15 cm. de altura é repicada para viveiro ou para saco plástico
com terra bem estercada. Dois meses antes da repicagem o leito do canteiro
deve ser preparado; nele abre-se sulcos com 20 cm. de profundidade e
que recebem 100 g. de superfosfato simples misturados a 6 Kg. de esterco
de curral para cada m. de sulco. A repicagem é feita num espaçamento
de 80 cm. x 40 cm. Ao atingir 60 cm. de altura a muda estará apta do
plantio em campo. Para acelerar o desenvolvimento da muda em canteiro
e viveiro pode-se preparar mistura de 30 g. de uréia, 30 g. de cloreto
de potássio e 50 g. de superfosfato simples, toma-se 5 gramas dessa
mistura e dissolve-se em 10 l. de água. Aplica-se ao solo ao lado plantinha
de 15 em 15 dias, a partir das primeiras semanas pós emergência. Sacos
Plásticos: o substrato para enchimento do saco é semelhante do da terra
para leito do canteiro, substituindo 1 parte de terra por 1 parte de
esterco. O semeio e tratos são similares aos do canteiro. As dimensões
do saco devem ser 15 x 25 ou 18 x 30. Vias
Estacas: na primavera retira-se da planta ramo com 80 cm. de comprimento
com 5-7 cm. de grossura, aponta-se sua extremidade inferior, lasca-se
em cruz e, com marreta, enterra-se 2/3 da estaca, irrigar. 7)
PLANTIO
Irrigar um pouco o fundo da cova e colocar o torrão com a muda (mantendo
colo da planta 5 cm. acima do superfície) na cova e encher cova com
mistura terra / adubo. Fazer pequena bacia, em torno da muda, irrigar
com 20 l. de água e colocar cobertura morta (palha, capim seco) em 5
cm. de altura. 8)
TRATOS CULTURAIS
Ervas: efetuar capinas em "coveamento" a plantas; manter ervas
daninhas sob controle. Podas:
eliminar galhos que tendam a "fechar" a copa para facilitar
arejamento e penetração de raios solares. Eliminar galhos secos, doentes,
tortuosos e mal-distribuídos. Na formação da copa eliminar ramos da
base do caule para que a copa fique a 80 cm. ou mais de altura do solo. Adubação:
anualmente, no período das chuvas, adubar cada planta com 20 l. de esterco
de curral mais 300 g. de superfosfato simples + 200 g. e cloreto de potássio, com leve incorporação. A cada 2 meses aplicar 50 g. de
uréia à planta e incorporar. Consorciação:
leguminosas não trepadeiras de pequeno porte, (feijão, amendoim e soja)
são indicados para o consorcio. 9)
PRAGAS E DOENÇAS 9.1)
Pragas: Broca-das-Mirtáceas:
Timocrata albella (Zeller 1839) Lepidoptera, Stenomidae. O adulto é
mariposa de corpo e asas brancas; a lagarta desenvolvida tem coloração
violeta e 25-35 mm. de comprimento. Aglomeração de excrementos e pedaços
de casca ligados por fios de seda em tronco e ramos são sinais da praga. Controle:
tira-se a camada de excremento e injeta-se 2-3 cm. de gasolina ou paratiom
no orifício e fecha-se o orifício com barro ou cera de abelha. Gorgulho
da Jaboticaba: Conotrachelus myrciariae (Marsh, 1929) Coleoptera, Curculionidae
- Adulto, besouro amarelado e larva (lagarta) branca, sem pernas, que
alcança 9 mm. de comprimento. A lagarta devora polpa e sementes. Controle:
Catação / destruição de frutos atacados, pulverização de frutos com
Fentiom 50 CE (200 / 100 l. de água) ou Paratiom 60 E (100 ml. / 100
l. de água). 9.2)
Doenças: Controle:
pulverizações com calda bordalesa ou fungicidas cupricos ou com mancozeb
ou benomyl. 10)
COLHEITA / RENDIMENTO Três
meses após a floração a jaboticabeira inicia a frutificação; com adubação
mais intensa e sob regime de irrigação artificial, a jaboticabeira pode
dar 2 a 3 floradas/ano. O
ponto de maturação é mostrado por cor bem escura da casca (salará coroada
de cabinho, ...) ou cor verde-clara e macios à compressão com os dedos
(branca), entre outras. A
colheita é feita à mão, com auxilio de escadas; os frutos são colocados
em sacos a tiracolo (sem deixar cair no chão). Desses sacos passam a
cestas ou caixa pequena (para evitar esmagamento) sem forro (para circular
ar). Tendo casca consistente o fruto apresenta boa conservação e resiste
bem ao transporte. Uma jaboticabeira pode produzir 200 Kg, 500 Kg, 800
Kg e até acima de 1.000 Kg (sabará) de frutos por ano. A planta inicia
produção entre 5º a 8º ano e a produção pode prolongar-se por 30 anos
ou mais. 11)
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
EDITORA ABRIL S/A.
Guia Rural Plantar.
São Paulo - 1991. MATTOS, JOÃO
MATTOS - JABOTICABEIRAS.
Publicação IPRNR Nº 10 - Porto Alegre 1983.
Governo do Estado do Rio Grande do Sul. CASA DA AGRICULTURA.
Jabuticabeira, Planta Nativa V.2 Nº 6 nov/dez/1980.
São Paulo. F.A M. MARICON.
Inseticidas e seu emprego no combate às pragas.
Biblioteca Rural - Livraria Nobel S/A. REVISTA TODA
FRUTA.
Vol. 4 Nº 39 outubro/89. |
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