LARANJA
(Citrus sinesis, Citrus aurantium)

COPERCAMPOS(C)

 

1) INTRODUÇÃO

A Laranja pertence a família botânica Rutaceae. Características da planta: Arvore de porte médio, podendo atingir até 8 m de altura, tronco com casca castanho-acinzentada, copa densa de formato arredondado. Folhas de textura firme e bordos arredondados, exala um aroma característico quando maceradas. Flores pequenas, de coloração branca, aromáticas e atrativas para abelhas.

Fruto: De formato e coloração variável de acordo com a variedade. Freqüentemente com casca de coloração alaranjada, envolvendo uma polpa aquosa de coloração que pode variar de amarelo-clara a vermelha. Sementes arredondadas e achatadas, de coloração verde esbranquiçada. Frutificação ao longo do ano, concentrando-se de abril a setembro.

A planta tem origem provável na Ásia - Índia, China, países vizinhos de clima subtropical úmido - daí foi para a Europa e para o Brasil trazida por portugueses no século XVI.

O cultivo da laranjeira está disseminado por mais de 60 países e, na produção mundial de cítricos, a laranja participa com 69%.

  

2) DESCRIÇÃO E VARIEDADES

Cientificamente a laranja-doce é conhecida como Citrus sinesis e a laranja-azeda como Citrus aurantium, ambas Dicotyledonae, Rutaceae. Na laranja-doce destacam-se as variedades Pera (maturação semi-tardia), Natal (tardia), Valencia (tardia), Bahia (semi-precoce), Baianinha (semi-precoce); Lima, Piralima, Hamlim (semi-precoce), a espécie laranja-azeda é representada pelas laranjas-da-terra.

A laranja doce tem porte médio, folhas tamanho médio com ápice ponteagudo base arredondada, pecíolo pouco alado, flores com tamanho médio, solitárias ou em racimos, com 20-25 estames, ovário com 10-13 lóculos. Sementes ovóides, levemente enrugadas e poliembrionicas.

A laranja azeda tem porte médio a grande, folha com lâmina estreita, ponteaguda, base arredondada, flores grandes, completas; fruto ácido e amargo, de difícil consumo. Dos brotos, folhas e casca do fruto retira-se uma série de óleos essenciais, aromáticos, de alto valor em perfumaria e farmacopéia.

 

3) COMPOSIÇÃO E UTILIZAÇÃO

Cada 100g da fruta fresca contém: calorias (63), glicídios (9,9 g), proteína (0,6 g), lipídios (0,1), cálcio (45 mg), fósforo (28 mg), ferro (0,2 mg), magnésio (26 mg), Vitamina A (14 mcg), Vitamina B (40 mcg), Vitamina B2 (21 mcg), Vitamina C (40,9 mcg), potássio.

Folhas: Contém óleo essencial utilizado em indústria.
 
Flores: Procuradas para ornamentação diversa; é melifica.
 
Fruto:  O sumo da laranja-doce é utilizado, em nível caseiro, para preparo de sucos, refrescos e sorvetes; na indústria o sumo compõe sucos concentrados e refrigerantes. A casca da laranja-da-terra é utilizada para o preparo de geléias, doces (em calda, cristalizados), bebidas.

 

4) NECESSIDADES DA PLANTA

Clima - A faixa de temperatura para vegetação está entre 22ºC e 33ºC (nunca acima de 36ºC e nunca abaixo de 12ºC) com média anual em torno de 25ºC; sob altas temperaturas a laranjeira emite, ao longo do ano, vários surtos vegetativos seguidos de fluxos florais que possibilitam maturação de frutos em várias épocas. O ideal anual de chuvas está em 1.200 mm. bem distribuídos ao longo do ano; déficit hídrico deve ser corrigido com irrigação artificial. A umidade do ar deve estar em 80%. O clima influi na qualidade e composição do fruto (teor de suco, de sólidos, maturação, volume de frutos, outros).

Solos : Embora possa desenvolver-se em vários tipos de solos- de arenosos a argilosos desde que sejam profundos e permeáveis- a laranjeira prefere os solos areno-argilosos e até argilosos porosos, profundos e bem drenados. Evitar solos rasos e sujeitos a encharcamentos; pH na faixa 6,0 a 6,5.

 

5) FORMAÇÃO DO POMAR

A muda de laranjeira: deve ser obtida de viveiristas credenciados por órgãos oficiais. Deve ser enxerto (por borbulhia) maduro vigoroso, enxertia a 20 cm de altura do solo, com 3 a 4 brotações (ramos) a 60cm. de altura (espaçados para formação da copa) distribuídos em espiral em torno do caule e sistema radicular abundante. As mudas raíz nua devem ter raízes barreadas (com barro) para transporte.

Localização do pomar: próximo a estradas e mercado consumidor, de fácil acesso. O terreno deve ser plano a ligeiramente ondulado; em áreas com declividade até 5% alinhar plantas em nível e em terrenos com declividade superior usar outras práticas conservacionistas além das curvas de nível. O plantio, em terreno plano, deve ser feito em retângulo.

Preparo do solo: retirar amostras de solo e enviar a laboratório de análises, com boa antecedência ao plantio (150 dias) para recomendações para corretivos e adubos. As operações de preparo de solo passam por desmatamento, destoca, queima, controle de formigas e cupins, aplicação de corretivo, aração e gradagens. A destoca pode ser feita em período de 2 a 5 anos (segundo extensão da área de plantio) e o produtor poderá cultivar lavouras de ciclo curto entre os tocos.

A aplicação do corretivo (calcário dolomítico) deve ser feita antes da aração (metade da dose) e antes da primeira gradagem (segunda metade) a 60 a 90 dias antes do plantio.

Os espaçamentos recomendados para o plantio são: 6 m x 4 m (Baianinha, Valencia) que proporciona 416 plantas/hectare e 6 m x 3 m (Pera, Natal e Rubi) o que proporciona 555 plantas por hectare.

Covas/adubação básica: as covas devem ter dimensões de 60 cm x 60 cm x 60 cm e na sua abertura separar a terra dos primeiros 15-20 cm de altura. A abertura deve ser feita 30 dias antes do plantio. Em plantios extensos sulcos podem ser feitos com sulcador de cana segundo as linhas de nível (terrenos acidentados). Caso não haja recomendação de análise de solo colocar 1 kg de calcário dolomítico no fundo da cova e cobrir com um pouco de terra logo após a abertura da cova em seguida misturar 200 g de superfosfato simples, 15-20 litros de esterco de curral curtido à terra separada e lançar na cova.

 

6) PLANTIO

No período chuvoso típico da região ou em qualquer época, com auxílio da irrigação, efetuar o plantio; escolher dias nublados, sem ventos e com temperatura amena. No plantio colocar colo da muda 5 cm acima da superfície do solo; as raízes das mudas nuas devem ficar estendidas (sem dobras) e os espaços entre as raízes cheios com terra. Comprime-se a terra a medida que se enche a cova, faz-se "bacia" com terra e cobre-se a bacia com palha ou maravalha ou capim seco (sem sementes); se houver ventos fortes tutora-se a muda.

 

7) TRATOS CULTURAIS

Caso não haja chuvas no pós-plantio irrigar a cova com 20 l. de água por semana.

Eliminar brotações (ainda novas) que se apresentem abaixo do ponto de enxertia notadamente nos primeiros 2 anos de vida.

Podar ramos secos, doentes, ramos ladrões vegetativos; efetuar limpeza do tronco e ramos grossos (com escova) caiando em seguida com calda bordalesa a 3%.

Capinar, nas ruas de plantio e na época seca, com grade de disco e com ceifadeira no período chuvoso. Em coroamento sob copa da planta, capinar com enxada (época seca) ou com foice ou estrovenga no período chuvoso.

Se o custo permitir plantar leguminosas (mangalô, feijão-de-corda, feijão-de-porco) nas ruas.

 

8) ADUBAÇÃO

Deficiências de micronutrientes mais comuns são de zinco e manganês; são corrigidas com aplicações em pulverização foliar, com solução contendo 300 g de sulfato de zinco e 300 g de sulfato de manganês em 100 litros de água.

60 dias e 90 dias pós plantio aplicar 50 g. de uréia fertilizante por cova e por vez.

 

9) TRATAMENTO SANITÁRIO

Tratos culturais adequados (para equilíbrio populacional entre pragas x inimigos naturais), idade das plantas no pomar (até 4 anos exige aplicação de químicos), inspeção periódica do laranjal (verificar presença de pragas, grau de infestação, presença de inimigos) aplicações de químicos em focos, período do dia a efetuar tratamento, dentre outros, são procedimentos imprescindíveis para eficiência do controle de pragas/doenças.

 

10) PRAGAS

Inúmeras pragas atacam a laranjeira a saber:

  • Acaros: da falsa ferrugem, das gemas e da leprose e que podem ser controlados com produtos a base de enxofre, de quinometionato e de dicofol.
       

  • Coleobrocas: que podem ser controladas com fosfina pasta, paratiom, DDVP em injeção (orifício do caule).
      

  • Pulgões: controlados com paratiom ou acefato ou pirimicarb.
      

  • Mosca-das-frutas: controlar com fentiom ou tricloform ou malatiom.
       

  • Cochonilhas: de placas (Orthezia), de escamas (farinha, virgula) cabeça-de-prego, são controladas por aplicação de óleo mineral + inseticidas fosforados (paratiom, malatiom, diazinom).


Na Bahia as pragas mais importantes são:

  • Broca-da-laranjeira: Cratosomus flavofosciatus (Guerim, 1844) Coleoptera, Curculionidae.
    O adulto é besouro com forma convexa, tem 22mm. de comprimento e faixas e manchas amarelas no dorso; a fêmea faz orifício no tronco da planta e aí deposita um ovo. Eclodindo o ovo libera larva (lagarta) volumosa, esbranquiçada e sem patas que bloqueia o tronco e ramos grossos abrindo galerias longitudinais. Os sinais de ataque são galerias e orifícios que expelem serragem em forma de pelotas. 

Controle:
Limpeza do(s) orifício(s) e destruição mecânica (com arame da larva).
Desobstrução do orifício e aplicação através dele de fosfina pasta (1cm.) ou de paratiom metil (2cm3.) em injeção. Vedar orifício com argila ou cera-de-abelha. Iniciar controle logo que apareça serragem no solo.
Plantio no pomar (evitar excesso de população) da planta Maria Preta que atrai os besouros. Capturar o inseto na Maria Preta e exterminá-lo.

  • Cochonilhas: Cabeça-de-prego: Chrysomphalus ficus (Ashmead. 1880)
       

  • Escama farinha: Pinnaspis aspidistrae (Signoret, 1869)
       

  • Escama virgula: Mytilococcus beckii (Newman, 1869) Homoptera, Diaspididae.
       

  • De placas: Orthezia praelonga (Douglas, 1891), Homoptera, Ortheziidae.Todas alimentam-se da seiva da laranjeira e podem eliminar secreções açucaradas que atraem formigas e fungos (fumagina).
       

  • Cabeça-de-prego: inseto provido de escama circular, cor violácea escura, que ataca folhas e frutos.
       

  • Escama farinha: inseto com carapaça alongada que vive no tronco, haste e folhas que tomam aspecto esbranquiçado.
        

  • Escama vírgula: carapaça de forma em vírgula, cor marrom claro, vivendo em folhas e frutos.
        

  • De placas: corpo provido de placas ou laminas cereas, esbranquiçadas, com cauda alongada (ovisaco); vive em folhas e ramos.

Controle:
Capinar sob-copa da planta e aplicar aldicarb a 1,5cm. de profundidade no solo; pulverizar plantas infestadas com fosalone ou dicrotofos para a cochonilhas de placas.
Para as outras escovar tronco e ramos e aplicar calda, contendo óleo mineral e inseticidas dimetoato ou malatiom ou metidatiom.

OBS: não misturar enxofre e óleo mineral, não aplicar óleo em horas quentes do dia e sobre frutos com menos de 5cm. de diâmetro e a menos de 50 dias de colheita.

 

11) DOENÇAS

Estiolamento: (Damping-off) - Sementeira (fungos). Sementes apodrecem sem germinar plantas novas ficam amareladas (colo apodrecido), tombam e morrem.

Controle: aplicação de PCNB (regar superfície de canteiro com 2 l. de calda/M2), ou aplicar benomyl ou quintozene preventivamente, semeando-se 48 horas depois.

Verrugose: Sementeira e viveiro (fungo). Lesões em folhas e brotos impedem o crescimento apical da planta; afeta alguns porta enxertos.
Aplicar benomyl, logo no aparecimento dos sintomas; 15 dias após aplicar mancozeb ou oxicloreto de cobre.

Gomose: Pomar (fungo). Afeta casca e parte externa do lenho nas raízes, tronco (colo) e até ramos. A região afetada apresenta goma marrom; planta pode morrer. Pulverizar com Fosetyl ou Metalaxil em intervalos de 20 dias; raspar parte doente e pincelar com pasta bordalesa.

Melanose: Pomar (fungo). Pequenas lesões arredondadas, coloração escura, recobrem grandes áreas de frutos, folhas e ramos. Podar galhos secos e pulverizar, pós florada, com benomyl ou oxicloreto de cobre.

 

12) COLHEITA / RENDIMENTO / COMERCIALIZAÇÃO

Colheita - Evitar machucar o fruto, romper a sua casca e o apodrecimento.

Usar escada (madeira leve e arredondada) sacolas de colheita (de lona, com fundo falso) com capacidade de 20Kg., tesoura ou alicate de colheita, (lâminas curtas e pontas arredondadas) e cestos ou caixas plásticas com capacidade de 27Kg.

  • No ato de colher rejeitar frutos orvalhados ou molhados, evitar derrubar fruto ao solo, colher frutos no mesmo estágio de maturação e evitar exposição do fruto ao sol. Um homem pode colher 10 mil frutos/dia.

Rendimento - Considerando-se início de produção aos 4 anos de vida colhe-se 100 frutos por laranjeira/ano, 150 frutos (5º ano), 200 frutos (6º ano), 250 frutos (7º ano), 300 frutos ( 8º ano), em geral. Pés safreiros (10 anos), podem produzir 350 frutos (Bahia), 420 frutos (Baianinha) e 580 frutos (Pera).

Comercialização - Há forte presença de agente intermediário com poucos produtores vendendo diretamente ao consumidor; empresas fornecem, sob contrato, laranjas à rede de supermercados. A laranja Pera deteve em 1990, 82,24% dos frutos comercializados na Bahia; a oferta cresce de maio a setembro quando alcança o pico (69% do total anual colhido).

 

13) BIBLIOGRAFIA

  • Embrapa/CNPMF - Cruz das Almas/Ba. Instruções práticas para cultura de Citrus. Circular Técnica nº 7. Out. 1985.
     

  • Instruções práticas para o cultivo de Citros. Circular Técnica nº 7, Out. 1993.
     

  • Manual de manejo integrado de pragas do pomar cítrico. Brasília/DF, 1982.
     

  • EPAMIG - Belo Horizonte/Minas Gerais. Citricultura - Renovação Tecnológica. Informe Agropecuário nº 52 (abr. 79).

 

 

   
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