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1 ) INTRODUÇÃOO pessegueiro é uma planta pertencente à família Rosaceae, cujas cultivares comerciais são da espécie Prunus persiGa (L.) Batsch. A variedade botânica nucipersica é também bastante conhecida por seus frutos com ausência de pelos, devido a um fator genético recessivo, sendo conhecida pelo nome de nectarina. E originário da China, apesar de seu nome derivar da Pérsia, que foi inicialmente considerada como país de origem do pessegueiro, mas que na verdade foi de onde originalmente se espalhou para a Europa. O pessegueiro é uma cultura que se difundiu e se adaptou rapidamente a uma grande variedade de situações climáticas, dos diversos continentes do mundo. O pessegueiro, devido à quantidade de cultivares com diferentes e variáveis exigências e adaptações edafoclimáticas, apresenta condições de plantio e cultivo em praticamente todo o Estado de Santa Catarina. Atualmente, três Estações Experimentais da EPAGRI trabalham na pesquisa com pêssego, que são Videira, Chapecó e Urussanga, representando três regiões do Estado, quais sejam, Meio-Oeste ou Vale do Rio do Peixe, região Oeste e Sul do Estado. Além destas encontram-se coleções de cultivares em Canoinhas e ltuporanga. Outras regiões poderão se beneficiar com os dados dessas Estações Experimentais, levando em conta a necessidade de horas de frio, bem como o comportamento fenológico das cultivares e suas adaptações às condições climáticas locais.
2) IMPLANTAÇÃO DO POMAR 2.1) Escolha
do local Protegidos dos ventos dominantes e preferencialmente com exposição norte ou a mais ensolarada possível, para reduzir o problema de Xanthomonas, Crespeira e outras doenças.
2.2) Quebra-ventos
2.3) Preparo
e correção do solo Os resultados de análise são acompanhados de recomendações de corretivos e adubos que seguem os padrões da ROLAS 1 para 20cm de profundidade. Estas recomendações deverão ser ajustadas na proporção da profundidade que se pretende fazer a incorporação. A dosagem de calcário recomendada visa elevar o pH até 6. Utilizar corretivos que após a reação no solo deixem uma relação CafMg de no mínimo 3/1. No caso de adubação de pré-plantio seguir as recomendações da ROLAS que constam das Tabelas 2 e 3. Ë recomendável fazer a aplicação de 40kg de bórax/ha, junto com a adubação corretiva.
2.4)
Mudas e porta-enxertos No processo de produção da muda, o porta-enxerto utilizado é o pessegueiro obtido de sementes (‘seedlings’). Pode-se usar caroços das cultivares Aldrighi e Capdebosq de procedência das fábricas de conserva ou caroços de pessegueiros comuns da região produtora, que normalmente apresentam boa adaptação e uniformidade. Na região Sul pode-se empregaro porta-enxerto Okinawa. O pessegueiro tem dado bons resultados com porta-enxertos, no entanto, outros métodos de multiplicação, como a estaquia, são também usados em outras regiões produtoras do mundo. Alguns destes métodos estão em teste, porém ainda não apresentam resultados conclusivos para nossas condições. Após estratificação dos caroços em serragem úmida e em câmara fria até o inicio da germinação, as sementes são plantadas em viveiro no inverno. Os seedlings são enxertados com borbulhas de gema viva em dezembro, quando atingem o diâmetro de 8mm (um lápis) ou em gema dormente no mês de março. No primeiro caso, logo após a enxertia o pessegueiro é torcido acima do ponto de enxertia e cortado 2cm acima da borbulha logo que a gema apresenta-se soldada. No caso da gema dormente, o pessegueiro é cortado 2cm acima do enxerto na hora do plantio, no lugar definitivo, vedando-se o corte com cola de tacos ou tinta plástica. As borbulhas deverão ser coletadas em plantas matrizes de boa qualidade e sanidade. 2.5) Cultivares Cultivares indicadas para Meio-Oeste Catarinense: Premier, Sulina, Cardeal, BR-3, Chimarrita, Cascata (Nectarina), Marli, Coral, Planalto, Coral Tardio, BR-1, Sungold (Nectarina), Della Nona, Vila Nova, Chiripá, Caí, Pialo. Cultivares Indicadas para o Sul Catarinense: Precocinho, Aurora, Premier, Delicioso precoce, Sulina, Dourado 2, BR-3, Princesa, Chimarrita, Coral, Marli, BR-1, Vila Nova. Cultivares indicadas para o Oeste Catarinense: Premier, Diamante, Chula, Ônix, Coral. 2.6) Espaçamento 2.7) Plantio O tamanho da cova depende do uso ou não da matéria orgânica e da profundidade do preparo do solo. A aplicação, na cova, de 10 litros de cama de aviário ou esterco de curral bem curtido é recomendada. Neste caso a cova deverá ter no mínimo 40 x 40 x 40cm e o esterco deverá ser misturado com toda terra removida da cova. Quando não for usada a matéria orgânica, a cova de plantio deverá ser suficientemente grande para abrigar o sistema radicular da muda. Não se deve plantar quando o solo estiver muito molhado e pegajoso, para evitar a compactação do mesmo e a ocorrência de bolsões de arjunto às raízes. As mudas devem ser plantadas na mesma profundidade em que estavam no viveiro. Por ocasião do plantio a muda deve ser podada a uma altura de 60cm do solo e logo após, protege-se o solo ao redor da muda com cobertura morta. A rega é indispensável logo após o plantio para assegurar o melhor contato possível entre a terra e as raízes. Aplicam-se 20 litros de água por planta, repetindo-se uma semana depois se não chover o suficiente neste intervalo.
3) PRÁTICAS CULTURAIS 3.1) Nutrição Do quarto ano em diante ou quando as plantas entrarem em produção, os nutrientes e as quantidades a serem aplicadas devem resultar de uma análise conjunta dos seguintes parâmetros: análise foliar, análise periódica do solo, idade das plantas, crescimento vegetativo, adubações anteriores, produção, espaçamento, etc. Quando for recomendada adubação fosfatada e/ou potássica, aplicar os nutrientes entre a pós-colheita e o inicio da brotação. Sempre que disponível, é desejável o uso de matéria orgânica, em substituição ao componente mineral. Na adubação orgânica, aplica-se toda a dose um mês antes da floração. Para o cálculo da dose de nitrogênio a ser aplicada, é muito importante a observação do crescimento vegetativo que as plantas apresentam. No pomar em produção, a adubação nitrogenada mineral, quando necessária será aplicada em três vezes: um terço no inchamento das gemas, um terço por ocasião do raleio, e o restante em fevereiro ou logo após a colheita para as cultivares mais tardias Deve-se evitar aplicações de nitrogênio em períodos próximos à maturação, salvo em casos de necessidade comprovada. 3.2) Quebra
de dormência Nestes casos pode-se aplicar uma calda de cianamida hidrogenada com concentração de 0,5 a 0,75 do ingrediente ativo, 30 a 45 dias antes da data esperada para início da floração natural. 3.3) Poda
e condução A poda e condução bem feitas permitem dar boa formação à planta e equilibrar a produção, tornando-a mais constante e uniforme, com maior aproveitamento da luz e das práticas culturais. Como regra geral, não é aconselhável podar plantas molhadas, para evitar contaminação com Xanthomonas e outras bactérias responsáveis pelos cancros bacterianos. Ë aconselhável, logo após a poda de inverno, pulverizar o pomar com fungicida à base de cobre.
3.4) Controle
a geadas
3.5) Manejo
do solo No primeiro ano, o plantio de duas filas de milho no meio da entrelinha, espaçadas entre si de 50cm, é recomendável principalmente onde houver problemas de vento, para evitar a Xanthomonas. Neste caso, o plantio do milho deverá ser feito o mais cedo possível, desde que não haja mais risco de geadas. A partir do terceiro ano, manter limpa uma faixa de 2m em cada lado da fila de plantas. Quando não houver problema de geadas prejudiciais, recomenda-se o uso de cobertura morta permanente nesta faixa No período de risco de geadas, recomenda-se mantê-la limpa. 3.6) Raleio O raleio é feito com base na capacidade produtiva da planta e no tamanho do fruto característico de cada cultivar, definindo-se assim o número de frutos por planta. A capacidade produtiva em pessegueiro normalmente se inicia no terceiro ano e se estabiliza após o sétimo. Tomando como exemplo um pomar da cultivar Coral com oito anos de idade e plantado no espaçamento de 6 x 5m (333 plantas/ha), sabe-se que nesta cultivar o peso médio dos frutos é de 100g e que, uma carga de 25t/ha constitui uma expectativa razoável de produção, em função do vigor das plantas e do histórico do pomar. Isto corresponde a uma carga de 75kg/ planta, ou seja, 750 frutos/planta. Faz-se então o raleio de algumas plantas representativas do pomar, deixando 750 frutos por planta, e em seqüência, faz-se o raleio das outras seguindo o mesmo padrão. A contagem é feita em apenas algumas plantas e o mesmo padrão de espaçamento entre frutos é usado para as demais. Este sistema é válido até certa idade do pomar, depois o tronco continua se desenvolvendo, mas a capacidade produtiva se estabiliza. Sabe-se que quanto mais cedo o raleio for feito, tanto melhor, mas devido aos riscos (geadas, queda natural, etc.) recomenda-se que o raleio seja feito um pouco antes do endurecimento do caroço ou quando os frutos tiverem de 1,5 a 2cm de diâmetro. Pode-se dizer que é de 30 a 45 dias depois da floração. lnicialmente, eliminam-se os frutos defeituosos, com problemas ou mal localizados, deixando os frutos de melhor qualidade e melhor distribuídos. De preferência, deixam-se em média de 1 a 2 frutos por ramo de produção, com um espaçamento mínimo de 8cm por fruto em ramos mais vigorosos e de 12cm por fruto em ramos menos vigorosos . 3.7) Fitossanidade
4) COLHEITA Vários parâmetros são usados conjuntamente para definir o ponto de colheita, sendo por ordem de importância: a mudança da cor de fundo da película, a diminuição da firmeza e da acidez da polpa e a mudança de cor da polpa. O fruto deve ser colhido antes de amolecer, pois neste caso ficaria impróprio para o transporte e manuseio. A colheita deve ser feita preferencialmente nas horas frescas do dia e todos os cuidados devem ser tomados para não machucar os frutos com as unhas e por batidas. Os frutos colhidos devem permanecer em locais sombreados. Para evitar o manuseio simultâneo de frutos podres com frutos sadios, o que propicia a contaminação destes últimos, a colheita deve ser feita por equipes diferentes ou em etapas sucessivas, com vasilhames específicos para frutos sadios e outros para frutos doentes ou podres. Estes últimos devem ser enterrados com cal virgem, ou então ser jogados em fossas de criação de inimigos naturais da mosca-das-frutas.
5) ATIVIDADES PÓS-COLHEITA 5.1) No
pomar Fazer adubação pós-colheita com N, quando necessário. Observar ocorrência de pragas e/ou doenças e fazer tratamento com produtos fitossanitários adequados. 5.2) Beneficiamento
dos frutos Selecionar os frutos que têm condições de serem enviados ao mercado, daqueles que não apresentam essas condições por motivo de tamanho, sanidade, grau de maturação, machucaduras, etc. Pela padronização pode-se conhecera qualidade e apresentação do produto mesmo sem tê-lo visto. Isso facilita a comercialização e permite obter melhores preços por frutos melhores. Na padronização leva-se em consideração a separação por cor da epiderme ou da polpa (grupo), por tamanho (classe) e por qualidade (tipo ou categoria). Usa-se a tipificação separando frutos por tipos considerando: lesão cicatrizada, lesão não cicatrizada, depressão mecânica, maturação, focos de deterioração, manchas e deformação. São três tipos ou categorias extra-oficiais para o pêssego de mesa, quais sejam: Extra, Especial e Tipo 1. 5.3) Armazenamento
a frio Na câmara fria, a temperatura que a fruta deve atingir é de -0,50C a +0,50C, com umidade relativa superior a 90%. Muito cuidado deve ser dispensado com a temperatura, pois a -0,8~C pode haver congelamento dos frutos e acima de +10C há o aceleramento do processo de maturação que diminui muito o período de conservação.
Fonte: Normas técnicas para o culti vo de pessegueiro em Santa Catarina - Epagri 1995
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