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1) INTRODUÇÃO Planta herbácea , da família Solanaceae, tem seu produto comercial nos tubérculos, caules modificados que armazenam reservas, necessidade imposta para enfrentar o inverno, em sua região de origem. Tanto nela quanto em outros locais de clima temperado, a batata tem época de plantio e de colheita bem definidas (geadas de primavera e de outubro), com ciclo superior a seis meses. No estado de São Paulo, tem ciclo de 90 a 120 dias, podendo ser plantada durante todo o ano, evitando, porém, regiões ou épocas com altas temperaturas noturnas, ou onde ocorram geadas, bem como locais com solos muito pesados, sujeitos a encharcamento. Embora a grande maioria da produção seja destinada ao consumo in natura, a importância da industrialização sob a forma de batata - frita ("chips") e de pré-frita é crescente.
2) CULTIVARES Achat, Apuã (IAC - 5977), Aracy (AIC - 2), Baraka, Bintje, Delta, Elvira, Itararé (IAC -5986), Jatte - Bintje e Monalisa.
3) ÉPOCA DE PLANTI
Há grande interação entre alguns cultivares e época de plantio. Assim, a 'Bintje' não alcança boas produções reduzida e defeitos fisiológicos.
4) ESPAÇAMENTO Depende do cultivar e do tamanho do tubérculo-semente utilizado; maior distanciamento entre plantas, dependerá da sua suscetibilidade a moléstias fúngicas de folhagem. Normalmente, emprega-se, entre linhas, o de 75-80 cm, que em solos orgânicos pode ser aumentado para 90-100 cm. O espaçamento entre plantas varia de 20 cm, para tubérculos muito pequenos, menores que 28 mm de diâmetro, até 40 cm, para tubérculos com diâmetro superior a 50 mm.
5) SEMENTES NECESSÁRIAS Depende do espaçamento e do tamanho do tubérculo-semente. Normalmente, emprega-se 40 a 60 caixas de 30 kg (1.200 a 1.800 kg/há, embora produtores de sua própria batata-semente possam utilizá-las ainda em maiores quantidades por unidade de área. A quantidade da batata-semente é condição básica para o sucesso da cultura.Usar sempre sementes certificadas. Os tubérculos-sementes no plantio devem estar bem brotados, com brotos curtos e coloridos. Os tubérculos pequenos devem estar em dominância apical e, os grandes, em fim de dominância.
6) CONTROLE DA EROSÃO Plantio em nível, muito importante, principalmente e se tratar do plantio "das águas", em regiões de grande declividade, onde devem ser tomados cuidados especiais no controle da água utilizada na cultura, inclusive à de tratamento fitossanitário.
7) CALAGEM E ADUBAÇÃO Tanto a calagem quanto a adubação devem ser feitas sempre com base em análise de solo. A batata é planta bastante tolerante à acidez do solo, mas exigente em cálcio, como nutriente. Realizar a calagem com bastante antecedência do plantio, elevando o índice de saturação em bases a 60%. No plantio, aplicar 40 a 80 kg/há de N ,100 a 300 kg/há de P2O5 e 100 a 250 kg/há de K2O, e, de 40 a 80 kg de N em cobertura, antes da amontoa. Aplicar menores doses em época do ano com temperatura mais elevada. Aplicar até 2 kg/há de B em solos deficientes no elemento. Parcelar a adubação nitrogenada de maneira a evitar grande concentração salina sobre o tubérculo-semente e perda do nutriente por lixiviação. Não aplicar em cobertura, fertilizantes fosfatados ou potássicos.O excesso de potássio pode induzir o aparecimento de sintomas de deficiência de magnésio, principalmente em culturas de inverno, em que se utiliza o cultivar Achat.
8) OUTROS TRATOS CULTURAIS: Capinas mecânicas ou química: herbicida registrados: EPTC, paraquat dicloreto, pendimethalin, metribuzin, linoron, diquat, fenoxaprop-etil, fluazifop-butyl e gluphozinate de amônio. Amontoa com sulcadores, essenciais para a produção e qualidade do produto. A batata tem grande exigência de água, crescente com ciclo, cerca de 30 mm por semana, após o completo fechamento do terreno. É completamente intolerante ao encharcamento. A produção da batata de inverno, no mesmo local de plantio, sofrendo rotação apenas com uma cultura de verão, é prática totalmente desaconselhada, pois pode levar à compactação dos solos, induzido problemas ligados à drenagem irregular como o aumento de moléstias fúngicas de solo (sarna pulverulenta) e de fitotoxidade por toxicações com ferro e manganês.
9) CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS A rotação de culturas, onde a batata explore uma área, apenas uma vez a cada quatro anos é prática obrigatória. Contra bactérias do gênero Erwinia causadoras da podridão-mole (canela preta ou talo oco), devem ser tomadas medidas durante todo o ciclo, evitando-se ao máximo causar qualquer tipo de ferimento às plantas e tubérculos, sempre acompanhadas por medidas de higiene (retirada dos campos e armazéns de plantas e tubérculos em deterioração); requeima (Plytophthora infestans): dimethomorph, mancozeb, ziran, chlothalonil estanho + oxicloreto de cobre, captan, cymoxanil + maneb, acetato de trifenil estanho, oxicloreto de cobre + mancozeb, metalaxyl + mancozeb, metalaxyl + chlorothalonil, hidróxido de trifenil estanho, fentin acetate, fluzinam e cúprico; pinta preta (Aternaria solani): captan, fluazinam, mancozeb, cúprico, chlorothalonil, chlorothalonil + oxicloreto de cobre, oxicloreto de cobre + mancozeb, fentin acetate, ziran, tebuconazole e ipridione; depois de completamente fechada a cultura, devem ser empregadas também produtos contendo acetato de trifenil estanho e hidróxido de trifenil estanho; viroses e murcha: utilizar batata-semente certificada e efetuar rotação de cultura. Doenças de solo, como o "olho preto" ( Fusarium eumarthiii) e a "sarna pulverulenta" ou "estrelinha" (Spongospora subterrânea), podem ser evitadas pelo perfeito controle do material de propagação utilizado, sempre acompanhada pela rotação de culturas, Mosca minadora (Liriompyza spp.), praga principal do plantio de inverno: abmectin, aldicarb e cartap; pulgões (devem ser obrigatoriamente controlados nas culturas destinadas à produção de batata-semente): methamidiphos, carbofuran, phorate, dimethoate, thimenton, disulfoton, fenitrothion e aldicarb; larva-alfinete (Diabrotica speciosa): parathion methyl, carboryl, deltamethrin, carbofuran e phorate; larva-arame (Conoderus spp.): carbofuran e disulfoton; vaquinha (Epicauta sp.): parathion methyl, carbaryl, dimethoate, carbofuran; traça: methomyl, parathion methyl, acephate, methamidophos, trichlorfon, dimethoate, fenitrothion, carbofuran e phorate; lagarta-rosca (Agrotis ipsilon): parathion methyl, cartap, methamidophos e dimethoate; cochonilha branca;parathion methyl e dimethoate.
10) COLHEITA Decorridos 3 a 4 meses do plantio, 10 a 15 dias após a seca natural das ramas. Se forem utilizados desfolhantes para colheita antecipada, esperar a perfeita aderência da película dos tubérculos, para evitar podridões. Todas as operações de colheita e manuseio do material devem ser efetuadas visando evitar o ferimento dos tubérculos, o que irá facilitar a manifestação de podridões.
11) PRODUÇÃO DE BATATA-SEMENTE A principal atividade adicional na produção de batata-semente é a erradicação precoce de plantas com sintomas de viroses e de qualquer planta anômala. Os campos de produção devem ter o maior isolamento possível de outros, situados em regiões para a produção de batata-semente.
12) PRODUÇÃO DE BATATA-SEMENTE PELO PRÓPRIO PRODUTOR Como alternativa a compra de batata-semente certificada, usar o método "cova /pré-plantio", desenvolvido pelo Instituto Agronômico, o qual permite obter material para plantio de alta sanidade a um custo 60% menor. A partir de lotes com boa sanidade, o método consiste em:
13) PRODUTIVIDADE NORMAL (tubérculos) Embora a produtividade média do Estado não ultrapasse 22 t/há, não é difícil atingir até 35 t/há.
14) ROTAÇÃO Gramíneas, adubos, verdes, pasto ou capineiras. Em solos onde já se tenham manifestado problemas de compactação, utilizar plantas com sistema radicular pivotante e profundo, que auxilie a reestruturação dos solos. Evitar plantas que possam manter ou aumentar o potencial de inóculo de doenças, ou populações de pragas nocivas à cultura.
15) OBSERVAÇÕES Os pontos básicos para o sucesso da cultura são a escolha e preparo do solo; utilização de batata-semente sadia e no estádio fisiológico ideal; adubação equilibrada; controle de pragas e doenças e perfeito fornecimento de água.
Fonte: Boletim 200 da IAC-SP
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