1) INTRODUÇÃO Para garantir o sucesso do plantio e obter povoamentos com boa produtividade e qualidade, é necessário cumprir uma seqüência de atividades, além de utilizar mudas de bom padrão. Um cronograma operacional, que pode ser adotado principalmente pelo pequeno produtor, para o plantio de florestas, consiste de: demarcação da área a ser reflorestada; limpeza do terreno; combate às formigas; preparo do solo; escolha do espaçamento; método de plantio; adubação; controle da vegetação invasora.
2) DEMARCAÇÃO DA ÁREA No momento da demarcação da área a ser reflorestada, devem ser localizados os olheiros de formigas cortadeiras, que consistem na principal praga de florestas plantadas. Deve também ser demarcada uma área em volta do plantio (aceiro), que servirá de proteção contra a ocorrência de incêndios na plantação ou para facilitar o seu combate.
3) LIMPEZA DO TERRENO Consiste
em eliminar a vegetação existente. Pode ser efetuada por meio de máquinas
ou manualmente.
4) COMBATE ÀS FORMIGAS Formigas cortadeiras dos gêneros Atta e Acromyrmex são extremamente prejudiciais para as florestas. Os maiores cuidados devem ser tomados na fase que antecede à implantação. Maior facilidade de localização dos formigueiros e maior eficiência no seu combate são conseguidas após a limpeza do terreno e antes de se revolver a terra. Entretanto, o combate às formigas cortadeiras deve ser estendido até a exploração final do povoamento. Segundo Silva & Paiva (1996), podem ser usados gases, pós-secos, líquidos termonebulizáveis ou iscas granuladas, seguindo a dosagem e a forma de aplicação recomendadas pelo fabricante. Porém os mais utilizados são as iscas granuladas, em razão da sua maior facilidade de manuseio, do maior rendimento operacional em áreas limpas e da baixa toxicidade ao ambiente. Em períodos chuvosos, as iscas devem ser colocadas em embalagens impermeáveis (porta-iscas), distribuídas sistematicamente em toda área em que o combate é necessário.
5) PREPARO DO SOLO Espécies
de rápido crescimento desenvolvem-se melhor em solos preparados. É importante
que pelo menos uma camada de 15 a 20 cm de profundidade seja revolvida
por meio de aração ou gradagem. Se o terreno for arado, deve-se efetuar
a gradagem. Quando não é possível efetuar o preparo do solo, deve-se
abrir covas.
6) ESPAÇAMENTO DE PLANTIO O objetivo do espaçamento é proporcionar a cada planta uma área suficiente para o desenvolvimento do seu sistema radicular e aéreo (Balloni, 1983). O espaçamento mais adequado depende dos hábitos de crescimento da espécie, finalidade da plantação, qualidade e volume esperados de madeira, possibilidades de manutenção, riscos de erosão e do número de cortes previstos. A escolha do espaçamento é baseada em alguns critérios fundamentais, que devem ser observados no momento da definição do plantio, que São:
Rezende & Fonseca (1986) recomendam os seguintes espaçamentos para espécies de Eucalyptus: 2,0 m x 2,0 m, para lenha, carvão, escoramento e engradados; 3,0 m x 1,5 m, para lenha, carvão, celulose, cerca, postes e escoras, e 3,0 m x 2,0 m, para lenha, carvão, celulose, postes, vigas, esteios e serraria.
7) MÉTODOS DE PLANTIO O
plantio pode ser feito de três formas: manual, semi-mecanizado ou mecanizado.
A escolha do método depende de uma série de fatores, que estão relacionados
principalmente com a disponibilidade de mão-de-obra, declividade do
terreno e tipo de preparo de solo utilizado. Em locais onde a topografia é suficientemente plana, associada a um preparo de solo bem feito, pode ser realizado o sulcamento cruzado. Nesse caso, o cruzamento dos sulcos irá determinar o local de plantio da muda. O sulcamento cruzado permite que os tratos culturais mecanizados sejam feitos nos dois sentidos. Uma das vantagens desse método, sobre o plantio manual, é que dispensa o uso excessivo de mão-de-obra. Plantio mecanizado - Nesse método, o sulcamento e o plantio são realizados com uma plantadeira. Esta consiste de um disco que corta os restos de raízes do solo e prepara o caminho para o sulcamento e a distribuição do adubo. As mudas são distribuídas por um operário sentado na parte traseira do trator. Época de plantio - O plantio deve ser efetuado, preferencialmente, em dias chuvosos, o que proporciona umidade adequada do solo para uma efetiva sobrevivência das mudas. As mudas levadas ao campo devem ser plantadas no mesmo dia, para evitar seu ressecamento e maximizar a sobrevivência. O tamanho das mudas é fundamental para que as plantas possam ter um desenvolvimento adequado. De acordo com Comissão Estadual de Sementes e Mudas (1982), mudas de eucaliptos e pínus estão aptas para serem plantadas quando tiverem de 15 a 25 cm de altura e diâmetro de colo mínimo de 2,5 e 3,5 mm, respectivamente. Mudas muito pequenas são pouco resistentes a secas e geadas, e são mais susceptíveis ao ataque de formigas. Replantio - Deve-se avaliar a porcentagem de falhas cerca de 30 dias após o plantio. Quando for superior a 10%, proceder o replantio. As mudas utilizadas para o replantio devem ter a mesma idade e dimensão das mudas plantadas, para evitar diferenças no crescimento.
8) ADUBAÇÃO Para espécies do género Eucaliptus, a adubação é amplamente utilizada, com resultados bastante satisfatórios. Em plantios de pínus, essa prática é mais recente e utilizada somente em solos com fertilidade muito baixa. Além dos fertilizantes químicos usados, é recomendado o uso de resíduos como fonte de nutrientes para as plantas e matéria orgânica para os solos. Evidentemente, a dosagem e a fórmula ideal de adubação são conseguidas com a experimentação local. Para o eucalipto, a recomendação é feita principalmente em função do tipo de solo que se utiliza para o plantio. Em solos bastante pobres em nutrientes, o uso do adubo torna-se fundamental para que as plantas possam se desenvolver. Para solos mais férteis, a adubação é recomendada. Em ambos os casos, deve-se fazer a adubação em duas etapas. A primeira, realizada durante o plantio, utilizando nitrogênio, fósforo e potássio. A segunda adubação, também chamada de adubação de manutenção, é realizada quando o plantio tem de 30 a 36 meses de idade, e, nesse caso, recomenda-se o uso de nitrogênio, potássio e calcário. Como recomendação geral para o eucalipto, recomendase na adubação de plantio o uso de 150 g por planta de NPK (10-30-10). Para a adubação de manutenção, é recomendado o uso de 90 kg/ha de cloreto de potássio (ou aproximadamente 50 g de cloreto de potássio por planta) e aplicação de 2 t de calcário por hectare. A aplicação de calcário tem como objetivo o fornecimento de cálcio e magnésio para as plantas. Em solos com altos teores de cálcio e magnésio, a adubação de manutenção é realizada apenas com o cloreto de potássio. Para o pínus, respostas à adubação são observadas apenas em plantios realizados em solos pobres em nutrientes minerais. Nesse caso, recomenda-se a mesma adubação de plantio indicada para o eucalipto. A adubação de manutenção, quando necessária, deve ser realizada quando as plantas atingirem de 7 a 8 anos.
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9) CONTROLE DA VEGETAÇÃO INVASORA A freqüência de controle da vegetação invasora depende de suas características e da rapidez de crescimento da cultura de interesse. Geralmente, no primeiro ano de plantio, são necessárias três capinas. No segundo, duas roçadas, e no terceiro ano, uma roçada. Para eucaliptos, devem ser efetuadas até que a árvore atinja 3 m de altura; essa altura pode ser atingida em 12 meses. Segundo Rezende e Fonseca (1986), quando as árvores atingirem altura média de 4 m, pode-se substituir os tratos culturais por pastoreio (bezerros, cabras e ovelhas) e, a partir do terceiro ano, animais adultos, como bois, podem ser utilizados. A vegetação invasora pode ser também controlada eficientemente com herbicidas. Herbicidas, que contenham glifosate por princípio ativo, têm-se revelado eficientes no controle de ervas daninhas. A susceptibilidade das ervas a esse produto varia em função da espécie. Geralmente, recomenda-se aplicar de 1 a 2 litros do produto comercial, pós-emergente, por ha, para controle de ervas anuais, e de 4 a 6 litros por hectare, para o controle de ervas perenes. O herbicida deve ser aplicado apenas sobre a vegetação invasora, evitando o contato com a cultura economicamente explorada. Deve-se evitar a aplicação:
Fonte:
Reflorestamento de propriedades rurais para fins produtivos e ambientais
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